07/01/2026 — 20:12
  (Horário de Brasília)

Réveillon aquece a economia e comércio de Cabo Frio vive melhor início de temporada em anos

Fluxo de mais de 1 milhão de turistas impulsiona vendas, lota hotéis e movimenta serviços

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O movimento da economia em Cabo Frio durante o Réveillon foi o melhor dos últimos tempos. Comerciantes e empresários demonstram satisfação com as vendas registradas no período e nos primeiros dias da alta temporada. O aumento expressivo no número de turistas refletiu diretamente no comércio local, com registros de falta de produtos em alguns estabelecimentos, como café, devido à alta demanda.

O fluxo turístico ultrapassou 1 milhão de pessoas no período, número cerca de cinco vezes maior que a população do município. O impacto foi sentido em diversos setores, especialmente nos segmentos de alimentação, hospedagem e serviços.

De acordo com o presidente da Associação Comercial, Industrial e Turística de Cabo Frio (ACIA), Renato Marins, o desempenho desta temporada superou os resultados dos últimos três anos, impulsionado principalmente pelo clima favorável. Segundo ele, hotéis de grande porte chegaram a registrar até 98% de ocupação, com destaque para o turismo rodoviário, que trouxe excursões de outros estados e teve papel decisivo no aquecimento da economia local.

Renato destacou que “o turismo rodoviário é estratégico para a cidade, tanto pelo perfil do público quanto pelas condições atuais de deslocamento, como o custo dos combustíveis e o fluxo intenso nas rodovias. Em relação às vendas, o crescimento variou conforme o setor, com aumento entre 5% e 10% em segmentos como eletrodomésticos e vestuário, enquanto o setor de alimentação apresentou desempenho ainda mais expressivo”.

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INVESTIMENTO NA BAIXA TEMPORADA

Apesar do cenário positivo, o presidente da ACIA ressaltou a importância de não concentrar o turismo apenas no verão. Segundo ele, é fundamental investir na baixa temporada, com eventos e atividades ao longo do ano, a fim de fortalecer a economia, evitar a sobrecarga da infraestrutura e reduzir problemas recorrentes, como a falta de água, energia e mão de obra nos períodos de maior movimento.

Os proprietários de depósitos de água e de bebidas localizados na Rua Porto Alegre, um dos polos de bares e restaurantes da cidade, foram uníssonos: “Nunca vendemos tanto nesse período. Sabíamos que iria ficar mais cheio que nos últimos anos, por causa da programação na praia, mas não imaginávamos que seria tanto. Foi muito bom e esperamos que continue assim”.

APOSTA NA DESCENTRALIZAÇÃO

Para aprofundar o debate sobre cidades lotadas no Réveillon e os impactos da alta temporada, a rádio RCFM entrevistou, nesta terça-feira (6), os secretários de Turismo de Cabo Frio, Davi Barcelos, e de Búzios, Thomas Weber.

Davi destacou que Cabo Frio e Búzios vivem realidades diferentes: “Enquanto Búzios possui características que facilitam o controle do fluxo, Cabo Frio tem várias entradas e praias extensas. Apostamos na descentralização para lidar com grandes aglomerações”. Ele citou a ampliação do número de praias com Bandeira Azul, incluindo Foguete e Pontal do Peró, para reduzir a superlotação. “A ideia é levar o desenvolvimento para as extremidades, permitindo receber mais visitantes sem comprometer a qualidade da experiência”, disse.

Apesar do planejamento, a virada do ano teve problemas de água e energia, e Davi afirmou que a prefeitura cobra providências: “Uma cidade boa para o turista precisa ser boa para quem mora nela”.

Thomas comentou sobre a pressão do grande volume de visitantes e defendeu a Taxa de Turismo Sustentável (TTS) como forma de reduzir impactos.

Pier Luro
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