28/01/2026 — 18:12
  (Horário de Brasília)

RCFM / Sirlei de Souza e Margareth Ferreira defendem cultura afro e ancestralidade como políticas públicas

Gerente de Igualdade Racial de Búzios e secretária adjunta de Cultura de Cabo Frio falam sobre o Presente às Águas de Iemanjá, combate à intolerância e valorização da cultura afrobrasileira

Compartilhe

O programa Renata Cristiane Online, da Rádio RCFM 88,7, exibido também em formato multiplataforma, recebeu nesta quarta-feira (28) a secretária adjunta de Cultura de Cabo Frio, Margareth Ferreira, e a gerente de Igualdade Racial de Búzios, Sirlei de Souza, para um debate sobre cultura afrobrasileira, ancestralidade e políticas públicas. Durante a conversa, as convidadas destacaram a força da cultura popular de matriz africana e a importância de sua valorização por meio de ações institucionais.

Margareth ressaltou o papel simbólico e ancestral do tambor dentro da cultura afrobrasileira. “O tambor é a nossa vida. Faz parte dessa nossa essência. E quando toca o tambor, todas as pessoas brasileiras na sua essência, inclusive os evangélicos, sentem a ancestralidade”, afirmou.

A secretária adjunta também chamou atenção para a expressiva presença da cultura negra em Cabo Frio, que conta com mais de 50 terreiros. Segundo ela, apesar dessa força, a religiosidade de matriz africana ainda enfrenta invisibilidade e preconceito, inclusive no mercado de trabalho, devido à intolerância. Margareth destacou, no entanto, avanços na valorização da comunidade afro, como a publicação, em 2025, de uma revista dedicada às mulheres negras, ressaltando a importância de homenagear essas mulheres ainda em vida.

Sirlei compartilhou sua experiência com o Presente às Águas de Iemanjá, que começou de forma simples, em seu quintal, há sete anos, e hoje integra oficialmente o calendário cultural de Búzios como política pública. Margareth também destacou que, em Cabo Frio, a celebração está sendo realizada pela primeira vez com apoio do poder público, marcando um avanço no reconhecimento institucional da cultura afro-religiosa.

Durante a entrevista, Sirlei comentou as críticas do vereador Rafael Braga, que classificou políticas públicas voltadas ao povo afro como desperdício de dinheiro. “Qualquer cargo público precisa ter capacitação da política que ele exerce. Então, eu, infelizmente, entendo que é total falta de sabedoria”, declarou.

Ela também reforçou a importância de ampliar o debate político sobre a pluralidade cultural, especialmente no contexto das próximas eleições, e defendeu um diálogo mais próximo entre representantes políticos e a sociedade civil para garantir a representatividade de povos e grupos minorizados.

No encerramento do programa, Sirlei e Margareth participaram do quadro Like e Deslike, em que expressaram opiniões de forma direta. “O nosso like vai para Tia Uia e Heliamar Reis. Já o deslike vai para quem não entende a importância das políticas antirracistas e não respeita nossos trajes e nossa cultura”, concluíram.

Giulia Navarro
- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Leia mais

- Advertisement -spot_img

Mais notícias