O mais recente boletim climático da Administração de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos, divulgado nesta terça-feira, reforça um cenário pouco animador para o Brasil: a formação do fenômeno El Niño no segundo semestre, com impactos significativos, principalmente no aumento das temperaturas.
Segundo o relatório, há uma mudança rápida em curso. O planeta ainda está sob influência do La Niña, mas a tendência é de neutralidade até junho, seguida pela chegada do El Niño já a partir de julho. As chances de ocorrência do fenômeno subiram de 60% para 80% em relação ao mês anterior.
De acordo com o meteorologista Marcelo Seluchi, chefe de operações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, a previsão é de um El Niño ao menos moderado, com possibilidade de ganhar força ao longo dos meses.
“O que já se pode afirmar é que a segunda metade do ano será marcada por calor intenso em todo o país”, explica. Ele ressalta que temperaturas elevadas costumam vir acompanhadas de baixa umidade do ar e aumento no risco de incêndios, especialmente durante o período seco.
Em relação às chuvas, o cenário ainda é incerto. Até junho, a previsão não indica anomalias significativas, com possibilidade de volumes acima da média em áreas do Amazonas. Já no padrão típico de El Niño, a tendência é de mais chuva na região Sul e menos no Norte, enquanto Sudeste e Centro-Oeste permanecem sem definição clara.
Apesar das preocupações, especialistas descartam, por enquanto, a repetição de eventos extremos como a tragédia registrada no Rio Grande do Sul em 2024. “Sempre há risco, mas não há motivo para pânico neste momento”, afirma Seluchi.
O meteorologista também desconsidera teorias que circulam nas redes sociais sobre uma possível influência de uma “bolha fria” no Atlântico na formação de chuvas mais intensas. Segundo ele, o comportamento das precipitações está muito mais ligado às alterações no Oceano Pacífico e à umidade proveniente da Amazônia.
Com o avanço do El Niño, o principal alerta das autoridades climáticas se concentra nos extremos de temperatura, considerados praticamente certos para o segundo semestre.
Pós-graduada em Jornalismo Investigativo pela Universidade Anhembi Morumbi; e graduada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Veiga de Almeida.
Atuou como produtora/repórter na Lagos TV, Coordenadora de Programação na InterTV - Afiliada da Rede Globo, apresentadora na Rádio Costa do Sol FM e editora no Blog Cutback. É repórter no Portal RC24h desde 2016 e coordenadora de reportagem desde 2023, além de ser repórter colaboradora no jornal O Dia/Meia Hora. Também é criadora de conteúdo para a Web 3.0 na Hive.
Vencedora do 3º Prêmio Prolagos de Jornalismo Ambiental, na categoria web.






