17/10/2026 — 11:00
  (Horário de Brasília)

PF investiga acordo entre PM, Márcio Canella e tráfico para retirar barricadas e restringir operações policiais no RJ

Investigação aponta que policial militar atuava como intermediário entre o então prefeito de Belford Roxo e lideranças do Comando Vermelho; retirada de barricadas teria rendido dividendos políticos e eleitorais, segundo a Polícia Federal

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A retirada de barricadas em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, teria sido negociada com o tráfico em um acordo que envolvia a redução de operações policiais na região. É o que aponta uma investigação da Polícia Federal, que apura a suposta atuação de Márcio Canella, ex-prefeito do município e deputado estadual eleito, em articulações com integrantes de organizações criminosas. Segundo os investigadores, um policial militar funcionava como intermediário entre o grupo político e lideranças do Comando Vermelho.

O caso coloca sob suspeita justamente uma das principais bandeiras políticas de Canella: o programa “Barricada Zero”, apresentado como uma iniciativa para retirar obstáculos instalados por criminosos nas ruas da cidade. Para a PF, a remoção das estruturas teria ocorrido com o consentimento de traficantes e sido utilizada para viabilizar obras urbanísticas e gerar exposição política favorável à administração municipal.

De acordo com a investigação, o capitão da PM Alexander Ribeiro Estrella Rosa atuava como canal de comunicação entre Canella e integrantes da cúpula do Comando Vermelho, entre eles Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, e José Severino da Silva Júnior, chamado de Soninho. O policial foi expulso da corporação, e a suposta ligação com o grupo político já havia sido abordada em reportagem do RJ2.

A PF também investiga possíveis conexões políticas com milicianos. Entre os casos citados está a nomeação de Giane Prudêncio como assessora parlamentar de Canella na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Ela é esposa de Juraci Alves Prudêncio, conhecido como Jura, miliciano condenado pela Justiça. Segundo os investigadores, as relações apontadas fariam parte de uma rede de influência em áreas dominadas por grupos criminosos.

Canella já havia sido preso em julho, após a polícia encontrar um fuzil no carro dele, em uma ocorrência relacionada à suspeita de posse ilegal de arma. Mesmo após a prisão, ele foi eleito deputado estadual com 197.178 votos, cerca de 70% deles em Belford Roxo. A candidatura chegou a ser contestada pelo Ministério Público Eleitoral, mas foi liberada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro.

A investigação sobre os supostos acordos com organizações criminosas segue em andamento. As acusações ainda dependem de apuração judicial e não representam, por si só, uma condenação definitiva. A reportagem tentou contato com a defesa de Márcio Canella e com os demais citados, mas não conseguiu localizá-los até a publicação. O espaço segue aberto para manifestações.

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MTb 0022570/MG | Coordenadora de Reportagem – Site do(a) autor(a)

Jornalista pós-graduada em Jornalismo Investigativo pela Universidade Anhembi Morumbi e graduada em Comunicação Social pela Universidade Veiga de Almeida.

Repórter no Portal RC24h desde 2016 e coordenadora de reportagem desde 2023. Também é repórter colaboradora no jornal O Dia/Meia Hora e criadora de conteúdo para Web 3.0.

Atuou como produtora e repórter na Lagos TV, coordenadora de programação na InterTV - afiliada Rede Globo, apresentadora na Rádio Costa do Sol FM e editora no Blog Cutback.

Vencedora do 3º Prêmio Prolagos de Jornalismo Ambiental, categoria web.

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