03/11/2026 — 13:54
  (Horário de Brasília)

Mulheres vão às ruas em Búzios contra feminicídio e violência

Manifestação realizada nesta segunda-feira (2) cobra proteção, justiça e políticas públicas após três mortes violentas de mulheres em cinco dias na Região dos Lagos

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O direito de viver sem medo levou mulheres às ruas de Armação dos Búzios nesta segunda-feira (2). A manifestação reuniu participantes em um protesto contra o feminicídio, a violência de gênero e a falta de segurança. O ato ocorre após três mulheres morrerem em circunstâncias violentas em um intervalo de cinco dias nos municípios de Búzios e Rio das Ostras.

As ocorrências foram registradas entre 23 e 27 de outubro e mobilizaram as autoridades policiais. As vítimas foram identificadas como Valéria Matos Ribeiro, de 48 anos, Emanuelly Caroline Gomes de Oliveira, de 19, e Taís de Souza Santana, de 24. Apesar da proximidade entre as datas e os municípios, não há indicação, até o momento, de que os episódios tenham ligação entre si.

Ataque em Búzios terminou com morte de mulher de 48 anos

O primeiro caso aconteceu na manhã de sexta-feira (23), no bairro Vila Verde, em Búzios. Valéria Matos Ribeiro foi esfaqueada pelo ex-companheiro enquanto seguia com o filho, de oito anos, em direção à escola. A criança também ficou ferida durante a agressão.

Valéria foi socorrida e levada ao Hospital Municipal Dr. Rodolpho Perissé, onde passou por uma cirurgia de emergência e permaneceu internada em estado grave. Apesar dos esforços da equipe médica, morreu na madrugada de domingo (25).

O homem apontado como autor do ataque foi encontrado morto posteriormente. Com a morte da vítima, a ocorrência passou a ser tratada como feminicídio consumado.

Após o episódio, a Secretaria Municipal da Mulher informou que Valéria não estava em acompanhamento pelo Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM) nem pela Patrulha Maria da Penha. A pasta também comunicou que mobilizou sua equipe para oferecer acolhimento aos familiares.

Jovem pode ter sido morta para interromper denúncia de estupro

A jovem Emanuelly Caroline Gomes de Oliveira, de 19 anos, pode ter sido assassinada para impedir que desse continuidade a uma denúncia de estupro contra o próprio ex-cunhado. Essa é a principal linha de investigação da Polícia Civil, que prendeu, nesta terça-feira (3), dois homens apontados como mandante e executor do homicídio, em Armação dos Búzios.

Segundo a 127ª Delegacia de Polícia, Emanuelly registrou a denúncia em 2020 e o processo ainda estava em andamento. A jovem tinha uma audiência marcada para o próximo dia 11 de novembro.

A investigação aponta que o suspeito teria oferecido dinheiro à família da vítima para que ela desistisse da denúncia. Entre as propostas estariam o pagamento de cerca de R$ 10 mil em contas de energia e outros R$ 12 mil em dinheiro. As ofertas teriam sido recusadas.

Com a proximidade da audiência, o homem teria financiado e organizado a execução, contando com a participação de outro suspeito, apontado como autor dos disparos ou da ação criminosa.

Emanuelly foi encontrada morta na madrugada de 27 de outubro, em uma residência no bairro Vila Verde. Ela estava com as mãos amarradas para trás e apresentava um corte profundo no pescoço. Imagens de câmeras de segurança também integram a investigação.

A Polícia Civil esclareceu que o namorado da jovem não teria participação no crime. Ele estava em Cabo Frio no momento do assassinato e foi o primeiro a encontrar o corpo. As prisões foram realizadas por agentes da 127ª DP, que continuam apurando os detalhes do planejamento e da execução do homicídio.

Corpo de jovem desaparecida é encontrado em Rio das Ostras

Em Rio das Ostras, a terceira ocorrência envolve Taís de Souza Santana, de 24 anos. O corpo da jovem, que estava desaparecida desde a semana anterior, foi encontrado na manhã de segunda-feira (26), às margens de um curso d’água no bairro Âncora.

A identificação foi confirmada por familiares no Instituto Médico Legal (IML) de Macaé, para onde o corpo foi encaminhado após os procedimentos periciais. A investigação está sob responsabilidade da 128ª Delegacia de Polícia de Rio das Ostras. Até o momento, a causa da morte, a autoria e a motivação não foram oficialmente esclarecidas. A hipótese de feminicídio também está entre as possibilidades consideradas pelos investigadores.

Manifestação cobra respeito e proteção às mulheres

O protesto desta segunda-feira levou às ruas uma cobrança por medidas de prevenção e enfrentamento à violência contra mulheres. A mobilização também destacou a importância da educação desde a infância, com o incentivo ao respeito e à igualdade entre meninos e meninas.

Entre as reivindicações está a necessidade de ensinar às crianças que mulheres não são propriedades, objetos ou pessoas destinadas a obedecer. A defesa da liberdade, da autonomia e do respeito também esteve entre as mensagens destacadas no contexto da manifestação.

A mobilização reforça ainda a cobrança por políticas públicas que garantam atendimento, acolhimento, segurança e proteção às mulheres em situação de violência. A existência de serviços especializados precisa estar acompanhada de informação, acesso e condições para que as vítimas consigam buscar ajuda.

Enfrentamento precisa começar antes da violência

A violência contra mulheres não se resume aos casos que terminam em morte. Situações de controle, ameaças, agressões e desvalorização também fazem parte de um contexto que exige atenção e ações preventivas.

Por isso, a discussão sobre o feminicídio envolve diferentes setores da sociedade, incluindo famílias, escolas, instituições e órgãos públicos. A educação para o respeito, a identificação de situações de risco e a oferta de canais de acolhimento são pontos importantes nesse enfrentamento.

Também é necessário que mulheres conheçam os serviços disponíveis e encontrem atendimento adequado quando procuram ajuda. A prevenção depende de ações permanentes, não apenas de respostas depois que a violência acontece.

Em meio à manifestação, a mensagem apresentada pelas participantes foi direta: mulheres querem viver com segurança, liberdade e dignidade. A cobrança por justiça e proteção não deve se limitar a um único ato, mas permanecer na agenda pública.

Pier Luro
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