09/02/2026 — 20:44
  (Horário de Brasília)

Mulher denuncia estelionato e exploração da fé em São Pedro da Aldeia; líder religiosa nega acusações

Líder espiritual teria afirmado que Marina estaria “correndo risco de morte” e que seria necessário realizar um trabalho espiritual no valor de R$ 3.700 para evitar algo fatal

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Uma moradora de São Pedro da Aldeia registrou ocorrência policial denunciando supostos crimes de estelionato, coação psicológica e violência emocional após buscar auxílio espiritual em um centro religioso localizado no bairro Porto do Carro, na Região dos Lagos. O caso está sendo apurado pela Polícia Civil.

De acordo com o Registro de Ocorrência nº 126-01235/2026, registrado na 125ª Delegacia de Polícia, Marina Paiva Diniz relatou que procurou o local em um momento de fragilidade emocional e psicológica. Segundo ela, no terreiro foi atendida por uma mulher identificada como Gizelly Souza, “mãe de santo”.

Ainda conforme o boletim, após atendimentos iniciais, a líder espiritual teria afirmado que Marina estaria “correndo risco de morte” e que seria necessário realizar um trabalho espiritual no valor de R$ 3.700 para evitar algo fatal. A comunicante declarou que efetuou os pagamentos sob forte pressão psicológica, medo e estado de submissão emocional.

Os valores, segundo a ocorrência, foram transferidos via PIX para uma conta bancária em nome de P. V. da S. R., apontado como terceiro utilizado para receber os pagamentos. Marina informou à polícia que o dinheiro era proveniente de sua rescisão contratual, recebida após a demissão do emprego.

O registro também aponta que, posteriormente, ao enfrentar dificuldades financeiras, Marina entrou em contato solicitando a devolução do valor, alegando necessidade básica para alimentação.

Em declaração formal anexada ao procedimento, Marina afirmou que os fatos causaram grave abalo psicológico, com agravamento significativo de seu estado emocional. Ela destacou ainda que a investigada teria pleno conhecimento de sua condição de vulnerabilidade no momento das cobranças e ameaças relatadas.

Em vídeos divulgados nas redes sociais, Marina afirma que não se trata de um caso isolado. Segundo ela, ao menos 12 pessoas teriam entrado em contato relatando situações semelhantes, algumas já com boletins de ocorrência registrados e outras com medo de denunciar por supostas ameaças. No mesmo relato, Marina afirma que algumas vítimas seriam mulheres jovens e que haveria acusações graves envolvendo indução à prostituição, além de tentativas de suicídio associadas ao impacto emocional dos episódios. Essas informações constam apenas como relatos públicos da denunciante e ainda não foram confirmadas oficialmente pelas autoridades.

Versão da líder religiosa

Por outro lado, Gizelly Souza negou as acusações. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ela afirmou ser religiosa e responsável por um templo espiritual, onde realiza atendimentos mediante cobrança de valores referentes a materiais e mensalidades, prática que, segundo ela, é de conhecimento prévio dos frequentadores.

De acordo com Gizelly, Marina teria procurado o local voluntariamente, pago por atendimentos espirituais e ingressado no espaço religioso de forma consciente. Ela afirma que não houve ameaça, coação ou golpe, e que os valores cobrados seriam destinados à compra de materiais necessários para os trabalhos solicitados.

A líder religiosa alegou ainda que não conseguiu executar um dos trabalhos no prazo esperado devido à internação hospitalar de seu filho, que, segundo ela, enfrenta graves problemas de saúde. Ainda conforme sua versão, os materiais adquiridos continuam guardados no barracão e provas teriam sido enviadas à denunciante.

Gizelly também negou qualquer envolvimento com exploração sexual, ameaças ou coação de frequentadores, classificando as acusações como falsas e caluniosas. Ela afirmou se sentir coagida e emocionalmente abalada pela repercussão do caso nas redes sociais e disse que pretende buscar seus direitos na Justiça.

Investigação em andamento

O caso segue sob apuração da Polícia Civil. Até o momento, não há informação oficial sobre indiciamentos ou conclusão das investigações. As autoridades analisam documentos, transferências bancárias e depoimentos relacionados ao caso.

Sabrina Sá
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