Moradores de Maria Joaquina e de bairros vizinhos realizaram uma manifestação na tarde deste domingo (5), interditando um trecho da RJ-102, na altura da Praia do Una, em Cabo Frio. O protesto denuncia o despejo de esgoto no Rio Una e uma série de problemas estruturais, como falta de atendimento na saúde, precariedade na educação e ausência de infraestrutura básica.
Além de Maria Joaquina, participaram moradores de localidades como Botafogo, Aquarius e Unamar, que relatam situações semelhantes de abandono. Durante o ato, os próprios manifestantes organizaram o trânsito no local, utilizando uma corrente humana e orientando motoristas a desviarem por dentro do bairro, como forma de expor as condições das ruas.
Uma das organizadoras da mobilização, Maria da Guia, afirmou que o objetivo do protesto foi chamar a atenção das autoridades para a realidade enfrentada pelos moradores. Segundo ela, promessas de melhorias, como mutirões de limpeza e obras, não foram cumpridas.
“Queremos que as pessoas vejam como está o bairro. São buracos, lixo e falta de estrutura. O mutirão que foi prometido nunca chegou”, disse.
Entre as principais denúncias está o despejo de esgoto no Rio Una, que, segundo os moradores, tem impactado diretamente a Praia Rasa e áreas ambientais importantes, como o Mangue de Pedra, localizado na divisa entre Cabo Frio e Armação dos Búzios. A poluição tem afastado moradores e turistas e levantado preocupações com riscos à saúde.
A situação da saúde pública também foi alvo de críticas. Moradores relatam a falta de médicos, escassez de medicamentos e a demora na conclusão das obras de uma unidade de saúde, que estaria em construção há cerca de um ano. Atualmente, o atendimento ocorre de forma improvisada, com apenas um clínico geral disponível.
“Se alguém passa mal, precisa ir para outros bairros. Quem não tem dinheiro para transporte fica sem atendimento”, relatou uma moradora.
Na educação, denúncias apontam para escolas com infiltrações, estruturas precárias e ausência de espaços adequados para atividades. Já na infraestrutura, os relatos incluem ruas intransitáveis, falta de iluminação pública e acúmulo de lixo.
Os manifestantes também criticaram a ausência de representantes do poder público durante o ato. Segundo eles, não houve presença de vereadores, secretários ou equipes da prefeitura no local.
A mobilização ocorreu de forma pacífica, mas os moradores afirmam que novos protestos podem ser realizados caso não haja resposta das autoridades. Eles cobram ações urgentes e diálogo com a população para resolver problemas que, segundo relatam, se arrastam há anos.





