12/08/2026 — 20:15
  (Horário de Brasília)

Família pede transferência urgente para paciente internado em Arraial do Cabo

Internado no Hospital Geral de Arraial do Cabo desde 12 de julho, William da Silva Nogueira precisa de procedimento que não é realizado na unidade; família afirma que ele já sofreu três paradas cardíacas e que o caso é grave

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A espera por uma vaga na rede estadual de saúde virou um drama para a família de William da Silva Nogueira. Internado no Hospital Geral de Arraial do Cabo desde o dia 12 de julho, ele aguarda há mais de 20 dias uma transferência para um hospital com estrutura para realizar uma pneumotomia com ressecção costal para drenagem cavitária e retirada de corpo estranho. Segundo os familiares, o procedimento é indispensável para o tratamento e não pode ser realizado na unidade onde ele está internado.

Documentos obtidos pela reportagem mostram que o pedido de transferência foi inserido no Sistema Estadual de Regulação (SER) no dia 13 de julho, sob a solicitação nº 8049163. No espelho da regulação, o status do pedido aparece como “pendente”.

De acordo com a família, o estado de saúde de William é grave. Os parentes relatam que ele já sofreu três paradas cardíacas durante a internação e que a demora na transferência aumenta a preocupação com o quadro clínico.

Sem conseguir a vaga, a família procurou o Ministério Público no dia 24 de julho e ingressou com uma ação judicial para tentar garantir a transferência do paciente para uma unidade com capacidade para realizar o procedimento necessário.

Em um áudio enviado à reportagem, a mãe de William relata o desespero diante da demora. Ela conta que continua buscando ajuda para tentar conseguir a vaga, inclusive verificando a possibilidade de atendimento em hospitais particulares, e afirma que a situação tem causado grande desgaste emocional à família.

Segundo os familiares, William está internado em decorrência de um acidente de trabalho. Eles afirmam que ele é funcionário do supermercado Carone e alegam que, até o momento, não receberam apoio da empresa diante da gravidade da situação.

A Secretaria Municipal de Saúde de Arraial do Cabo, responsável pela administração do Hospital Geral de Arraial do Cabo, esclereceu através de nota, que o paciente permanece internado no Hospital Geral de Arraial do Cabo, onde recebe assistência contínua e todos os cuidados compatíveis com a estrutura e a capacidade técnica da unidade.

A nota diz ainda que o procedimento indicado pela equipe médica é de alta complexidade e não é realizado no município, sendo necessária a transferência para uma unidade hospitalar de referência da rede estadual. A solicitação de transferência foi inserida no Sistema Estadual de Regulação e vem sendo acompanhada pela equipe responsável. Diante da gravidade do caso e da necessidade de acesso ao procedimento especializado, também foram adotadas as medidas administrativas e judiciais cabíveis.

Atualmente o caso encontra-se judicializado, com decisão determinando ao Estado do Rio de Janeiro a transferência do paciente no prazo estabelecido judicialmente. O não cumprimento da decisão está sujeito à aplicação de multa diária ao ente estadual.

“A Secretaria Municipal de Saúde esclarece que todas as providências que competem ao município foram adotadas, incluindo a estabilização e assistência hospitalar do paciente, a inserção e atualização do pedido no sistema de regulação, o acompanhamento do processo e a adoção das medidas necessárias para viabilizar a transferência.

Enquanto aguarda a disponibilização de uma vaga pela rede estadual de referência, o paciente continuará recebendo acompanhamento permanente da equipe do Hospital Geral de Arraial do Cabo”, completou.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, responsável pelo Sistema Estadual de Regulação, para questionar os motivos da demora na transferência, o atual status da solicitação e quais medidas estão sendo adotadas para garantir o atendimento do paciente.

Em nota, o Supermercado Carone confirmou que William da Silva Nogueira é funcionário da empresa e reforçou o carinho e o respeito que tem por ele. Sobre a internação, a empresa esclareceu que, até o momento, não foram encontrados indícios de que se trate de acidente de trabalho. “O funcionário nunca relatou nenhum acidente à empresa, e uma apuração interna, feita após
questionamento da família, não encontrou nada que confirmasse essa possibilidade
“.

Mesmo assim, quando soube da internação, o Carone afirmou que agiu rapidamente e enviou seu enfermeiro do trabalho ao hospital para acompanhar o caso de perto. Desde então, presta assistência contínua à família, por entender que esse cuidado faz parte de sua cultura interna, independentemente de qualquer discussão sobre a origem do problema de saúde.

O colaborador desenvolveu uma complicação pulmonar que exige tratamento especializado. Como o hospital de Arraial do Cabo não tem, no momento, cirurgião torácico nem estrutura para o exame necessário, a própria unidade solicitou, pelo sistema do Estado, a transferência para um hospital de referência. Paralelamente, o Carone também se mobilizou, usando contatos institucionais e médicos, para tentar agilizar essa busca. Um hospital em Niterói foi identificado como a opção mais próxima e compatível com o tratamento necessário, e a equipe médica dessa unidade já avaliou o caso e concordou, do ponto de vista clínico, em recebê-lo. Falta, porém, um passo que depende exclusivamente do poder público: a liberação de um leito de CTI. Esse passo não tem sido simples porque, segundo
resposta recebida, Arraial do Cabo integra a Macrorregião I, enquanto a unidade identificada em Niterói está vinculada à Macrorregião II, logo, os locais pertencem a regiões de saúde diferentes dentro da organização do Estado, e ainda não há vaga disponível em hospital de referência na região onde o paciente está
“, explica a nota.


Além disso, a empresa também afirma que reuniu os documentos médicos necessários e está ajudando a família a buscar uma solução judicial para garantir o leito. “O contato do Carone com a família tem sido próximo e concreto. Foi a medicina do trabalho da empresa quem viabilizou o requerimento de afastamento previdenciário junto ao INSS, que a família não estava conseguindo efetivar sozinha, e atendeu ao pedido da genitora de depositar o salário em sua conta. O fato é que o Carone mantém contato frequente, por meio de sua equipe de recursos humanos e do enfermeiro do trabalho, e reafirma que continuará apoiando o colaborador durante todo o tratamento“, completou.

Até a publicação desta reportagem, a Secretaria de Estado de Saúde não havia se manifestado. O espaço permanece aberto para a divulgação de seus posicionamentos.

Sabrina Sá
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