A espera por uma vaga na rede estadual de saúde virou um drama para a família de William da Silva Nogueira. Internado no Hospital Geral de Arraial do Cabo desde o dia 12 de julho, ele aguarda há mais de 20 dias uma transferência para um hospital com estrutura para realizar uma pneumotomia com ressecção costal para drenagem cavitária e retirada de corpo estranho. Segundo os familiares, o procedimento é indispensável para o tratamento e não pode ser realizado na unidade onde ele está internado.
Documentos obtidos pela reportagem mostram que o pedido de transferência foi inserido no Sistema Estadual de Regulação (SER) no dia 13 de julho, sob a solicitação nº 8049163. No espelho da regulação, o status do pedido aparece como “pendente”.
De acordo com a família, o estado de saúde de William é grave. Os parentes relatam que ele já sofreu três paradas cardíacas durante a internação e que a demora na transferência aumenta a preocupação com o quadro clínico.
Sem conseguir a vaga, a família procurou o Ministério Público no dia 24 de julho e ingressou com uma ação judicial para tentar garantir a transferência do paciente para uma unidade com capacidade para realizar o procedimento necessário.
Em um áudio enviado à reportagem, a mãe de William relata o desespero diante da demora. Ela conta que continua buscando ajuda para tentar conseguir a vaga, inclusive verificando a possibilidade de atendimento em hospitais particulares, e afirma que a situação tem causado grande desgaste emocional à família.
Segundo os familiares, William está internado em decorrência de um acidente de trabalho. Eles afirmam que ele é funcionário do supermercado Carone e alegam que, até o momento, não receberam apoio da empresa diante da gravidade da situação.
A Secretaria Municipal de Saúde de Arraial do Cabo, responsável pela administração do Hospital Geral de Arraial do Cabo, esclereceu através de nota, que o paciente permanece internado no Hospital Geral de Arraial do Cabo, onde recebe assistência contínua e todos os cuidados compatíveis com a estrutura e a capacidade técnica da unidade.
A nota diz ainda que o procedimento indicado pela equipe médica é de alta complexidade e não é realizado no município, sendo necessária a transferência para uma unidade hospitalar de referência da rede estadual. A solicitação de transferência foi inserida no Sistema Estadual de Regulação e vem sendo acompanhada pela equipe responsável. Diante da gravidade do caso e da necessidade de acesso ao procedimento especializado, também foram adotadas as medidas administrativas e judiciais cabíveis.
Atualmente o caso encontra-se judicializado, com decisão determinando ao Estado do Rio de Janeiro a transferência do paciente no prazo estabelecido judicialmente. O não cumprimento da decisão está sujeito à aplicação de multa diária ao ente estadual.
“A Secretaria Municipal de Saúde esclarece que todas as providências que competem ao município foram adotadas, incluindo a estabilização e assistência hospitalar do paciente, a inserção e atualização do pedido no sistema de regulação, o acompanhamento do processo e a adoção das medidas necessárias para viabilizar a transferência.
Enquanto aguarda a disponibilização de uma vaga pela rede estadual de referência, o paciente continuará recebendo acompanhamento permanente da equipe do Hospital Geral de Arraial do Cabo”, completou.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, responsável pelo Sistema Estadual de Regulação, para questionar os motivos da demora na transferência, o atual status da solicitação e quais medidas estão sendo adotadas para garantir o atendimento do paciente.
Além disso, a reportagem solicitou posicionamento ao Supermercado Carone sobre a assistência prestada ao funcionário após o acidente de trabalho relatado pela família.
Até a publicação desta reportagem, a Secretaria de Estado de Saúde e o Supermercado Carone não haviam se manifestado. O espaço permanece aberto para a divulgação de seus posicionamentos.





