17/03/2026 — 14:24
  (Horário de Brasília)

Família denuncia agressão a aluno autista em escola municipal de Cabo Frio; jovem está internado com fratura

Após a repercussão do caso, a Secretaria Municipal de Educação informou que registrou um boletim de ocorrência, que passou a ser investigado pela Polícia Civil como lesão corporal culposa

Compartilhe

A mãe de um jovem autista denuncia que o filho, de 21 anos, foi agredido dentro da Escola Municipal Renato Azevedo, em Cabo Frio. O estudante, identificado como Davi Elias Júnior, está internado no Hospital Roberto Chabo, em Araruama, com fratura no colo do fêmur e aguarda cirurgia marcada para esta terça-feira (17).

Segundo a responsável, Cristina da Conceição Costa, o caso aconteceu na última quarta-feira (11), durante o período de aula. De acordo com o relato, o jovem – diagnosticado com autismo nível de suporte 3 e transtorno do desenvolvimento – teria se machucado dentro da unidade, mas a família só foi informada ao buscá-lo no transporte escolar.

“Quando eu fui pegar o Davi no ônibus, me disseram que ele tinha caído e não estava conseguindo andar. Eu tive que tirar meu filho no colo. Ele estava gemendo de dor”, contou.

A mãe afirma que, mesmo diante da situação, a escola não acionou socorro nem comunicou a família. “Eles foram omissos. Não me ligaram, não chamaram o bombeiro e ainda colocaram ele no ônibus machucado”, disse.

Ainda segundo Cristina, a versão inicial registrada na agenda do aluno apontava que ele teria “resistido a levantar, se desequilibrado e caído”. No entanto, após questionamentos, a dinâmica teria sido alterada.

“Primeiro falaram que ele se desequilibrou. Depois, quando a direção conversou com os auxiliares, todos disseram que ele foi empurrado. Não foi uma simples queda”, afirmou.

O relato indica que o jovem estava deitado em um tatame após a aula de educação física e, ao ser chamado para sair, teria resistido a se levantar. Nesse momento, teria ocorrido o episódio que resultou na queda. A mãe também afirma que, mesmo ferido, ele foi obrigado a caminhar até o portão da escola.

“Fizeram ele andar da quadra até o portão. Só depois perceberam que ele não conseguia colocar o pé no chão”, disse.

Ao chegar em casa, o estudante apresentava fortes dores e dificuldade de locomoção. Ele foi levado para atendimento em São Pedro da Aldeia, onde exames iniciais apontaram lesão. Uma tomografia confirmou a fratura no colo do fêmur, e o jovem foi transferido para o Hospital Roberto Chabo, em Araruama, onde permanece internado.

A mãe também relatou dificuldades no atendimento hospitalar. “Fiquei três dias com ele na sala de medicação, sem leito. Ele é um jovem autista, precisava de cuidado, e ninguém da escola apareceu para dar suporte”, afirmou.

Após a repercussão do caso, a Secretaria Municipal de Educação informou que registrou um boletim de ocorrência, que passou a ser investigado pela Polícia Civil como lesão corporal culposa. De acordo com o registro, o fato teria ocorrido no momento da saída dos alunos, quando o jovem foi conduzido ao ônibus escolar, ocasião em que teria sido empurrado, caído e se lesionado.

A mãe, no entanto, contesta a forma como o registro foi feito. “Meu marido foi lá depois, mas não assinou nada. Quem tem que fazer o boletim somos nós. Eles fizeram sem a nossa presença”, declarou.

Ela informou ainda que pretende registrar uma nova ocorrência após a cirurgia, com base no laudo médico completo. “Agora eu preciso cuidar do meu filho. Depois vamos correr atrás dos direitos dele”, disse.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que, assim que tomou conhecimento do caso, mobilizou sua equipe técnica e iniciou a apuração dos fatos. A pasta comunicou que instaurou processo administrativo, afastou o servidor envolvido e o convocou para prestar esclarecimentos.

A Secretaria também confirmou o registro da ocorrência junto à polícia e afirmou que acompanha o caso, colaborando com as investigações. “A gestão repudia qualquer forma de violência no ambiente escolar e reafirma seu compromisso com a segurança e o bem-estar dos alunos da rede municipal”, destacou em nota.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

*Com informações do G1.

Sabrina Sá
- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img
- Advertisement -spot_img

Leia mais

- Advertisement -spot_img

Mais notícias