A Airbus Helicopters emitiu uma diretiva global de segurança após o pouso forçado no mar de um helicóptero H160 ocorrido no dia 2 de janeiro, na costa de Cabo Frio. O incidente, classificado como falha ou mau funcionamento de sistema/componente, não deixou feridos. Dois tripulantes e seis passageiros estavam a bordo da aeronave.
Segundo informações apuradas, o helicóptero Airbus H160-B, prefixo PR-OFB, decolou do Aeródromo de Cabo Frio (SBCB) com destino à Unidade Marítima Deep Blue (9DBL), em um voo de transporte de pessoal. Durante o cruzeiro, a tripulação percebeu vibrações anormais de grande intensidade, que chegaram a dificultar a leitura dos instrumentos de bordo.

Diante do cenário crítico, os pilotos optaram por realizar um pouso controlado no mar, a cerca de 60 milhas náuticas (aproximadamente 100 quilômetros) da costa. O sistema de flutuação de emergência da aeronave foi acionado automaticamente, permitindo a evacuação segura de todos os ocupantes, que aguardaram o resgate em balsas infláveis. Pouco tempo depois, todos foram resgatados com segurança pela Marinha do Brasil.


Falha precoce e investigação
A apuração inicial aponta que a aeronave sofreu a ruptura em voo do terminal de articulação (rod end bearing) da biela de comando de passo do rotor principal. O componente apresentou falha com apenas 111 horas de voo, número significativamente inferior ao novo limite de substituição definido pela fabricante.
Após a recuperação do helicóptero, foram identificados danos na linha de transmissão do rotor de cauda e no rotor principal, incluindo a ruptura da haste de passo de uma das pás. A leitura dos gravadores de voz da cabine e de dados de voo permitiu aprofundar a análise técnica. As observações preliminares indicam fadiga precoce do material, cujas causas ainda estão sendo investigadas por meio de análises laboratoriais.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) conduz a investigação oficial, com apoio do Bureau d’Enquêtes et d’Analyses (BEA), da França, conforme o Anexo 13 da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI).

Diretiva global de segurança
Com base no relatório preliminar do Cenipa, a Airbus Helicopters, em conjunto com a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA), emitiu um Emergency Alert Service Bulletin (EASB) e uma Emergency Airworthiness Directive (AD). A medida determina a substituição obrigatória das extremidades das hastes de passo do rotor principal a cada 165 horas de voo, em toda a frota mundial do modelo H160.
De acordo com a fabricante, a decisão é preventiva e, até o momento, não há evidências de falhas relacionadas à manutenção da aeronave envolvida no acidente em Cabo Frio. Ainda assim, a Airbus reforçou a necessidade de atenção redobrada aos sistemas do rotor principal e do rotor de cauda.
Em comunicado, a empresa destacou que este foi o primeiro acidente registrado no Brasil envolvendo o modelo H160, helicóptero bimotor de porte médio que entrou em serviço em 2022. A aeronave envolvida, de número de série 050, havia sido entregue nova à operadora Omni em novembro de 2024.
“As investigações seguem em andamento e a causa definitiva da ruptura ainda não foi determinada. A segurança é nossa prioridade absoluta, e estamos trabalhando em estreita colaboração com os operadores para garantir a substituição dos componentes enquanto a análise técnica prossegue”, informou a Airbus Helicopters.
As conclusões finais do caso dependem do avanço das análises laboratoriais e do relatório definitivo do Cenipa.





