Dois meses após a tentativa de feminicídio que chocou Cabo Frio, a empresária Rose Rosa concedeu, com exclusividade ao RC, a primeira entrevista e falou sobre a relação com o agressor, o impacto da violência psicológica e o processo de recuperação física e emocional. O crime ocorreu no dia 4 de novembro de 2025, na casa da vítima, quando o então companheiro, Alexu Rosa, desferiu 19 facadas contra ela.
Rose foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada desacordada para o hospital, onde permaneceu internada por dois dias. Na entrevista, a empresária destacou que a agressão física foi precedida por um longo período de violência psicológica, marcada por manipulação e controle emocional.
Segundo ela, esse tipo de violência é especialmente perigoso por ser sutil e progressiva, minando a autoestima da vítima e criando uma dependência emocional. “Todas as vezes que ele me agredia, ele voltava com palavras de amor, carinho, mostrando que era apaixonado, e eu acreditava porque gostava muito dele”, relatou. Rose afirmou ainda que o relacionamento abusivo deixou sequelas emocionais não apenas nela, mas também nos dois filhos do casal.
Após o crime, Alexu Rosa se entregou à polícia no dia 6 de novembro. Ele passou por audiência de custódia no dia seguinte, quando a Justiça decidiu pela manutenção da prisão. Rose, por sua vez, segue recebendo acompanhamento da Guarda Municipal, por meio da Patrulha Maria da Penha, além de atendimento psicológico com a neuropsicóloga Jacqueline Serpa.
A profissional reforça a importância da terapia para que a vítima compreenda as origens da dependência emocional e consiga tratar os traumas deixados pela relação abusiva. Jacqueline também alerta para sinais que não devem ser ignorados, como o isolamento social, a difamação de parentes e amigos e falas que diminuem a beleza, a inteligência ou a capacidade da mulher.
Em um dos momentos mais emocionantes da entrevista, Rose falou sobre a dor causada pelo trauma e pelo fim violento do relacionamento. “Eu não entendo porque chegou nisso, para todos nós. Eu achava que ele não sabia administrar a dor dele, mas quem ama não bate”, disse, emocionada.
A coordenadora da Patrulha Maria da Penha em Cabo Frio, Regiane Costa, reforçou que a mulher deve buscar ajuda ao primeiro sinal de violência, seja ela física, psicológica, moral ou patrimonial. Os canais de denúncia incluem o telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, e o 153, da Guarda Municipal.
O atendimento presencial também pode ser feito na sede da Patrulha Maria da Penha, localizada na Praça Gentil Gomes de Faria, no bairro São Bento. Caso a mulher não consiga telefonar ou se deslocar até o local, é possível procurar qualquer órgão da Prefeitura, que acionará a Patrulha para atendimento imediato.





