01/06/2026 — 13:39
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Estudo aponta níveis elevados de mercúrio em atum vendido em Cabo Frio

Pesquisa analisou exemplares de bonito-pintado comercializados na cidade e identificou concentrações acima do limite recomendado em metade das amostras

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Um estudo publicado na revista científica Neotropical Ichthyology identificou concentrações elevadas de mercúrio em exemplares de bonito-pintado (Euthynnus alletteratus), espécie de atum bastante consumida na Região dos Lagos. A pesquisa analisou peixes capturados na costa de Arraial do Cabo e comercializados em Cabo Frio.

De acordo com os pesquisadores, as concentrações de mercúrio total encontradas nos peixes variaram entre 0,034 mg/kg e 1,980 mg/kg. O limite máximo permitido pela legislação brasileira e por organismos internacionais para peixes predadores é de 1,0 mg/kg.

Os autores destacam que metade das amostras analisadas ultrapassou o valor considerado seguro para consumo humano.

A pesquisa foi conduzida por cientistas ligados ao Instituto Federal Fluminense (IFF), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM). O trabalho teve como objetivo avaliar os níveis de mercúrio na musculatura do bonito-pintado, comparar os índices entre machos e fêmeas e verificar se os valores estavam dentro dos padrões estabelecidos para peixes carnívoros.

Ao todo, foram analisados 30 exemplares adquiridos no Mercado Municipal de Peixes de Cabo Frio durante os meses de janeiro e julho de 2018. Os pesquisadores coletaram amostras da musculatura dos peixes e realizaram análises laboratoriais em triplicata.

Segundo o estudo, o mercúrio chega ao organismo humano principalmente pelo consumo de peixes contaminados. Em ambientes aquáticos, o metal pode sofrer transformações químicas e se tornar metilmercúrio, forma considerada mais tóxica e associada a efeitos neurológicos e problemas de saúde.

Os pesquisadores também chamaram atenção para o fato de o bonito-pintado ocupar posições elevadas na cadeia alimentar marinha, característica que favorece o processo de bioacumulação e biomagnificação do mercúrio.

O trabalho aponta ainda que a região de Arraial do Cabo possui forte influência do fenômeno da ressurgência, que aumenta a produtividade marinha local e pode favorecer a disponibilidade de mercúrio no ambiente oceânico.

Na avaliação de risco feita pelos autores, os índices calculados indicaram potencial possibilidade de efeitos prejudiciais à saúde em casos de consumo frequente da espécie. Crianças e gestantes são apontadas como grupos mais vulneráveis à exposição ao mercúrio.

Os pesquisadores defendem o monitoramento contínuo da presença de mercúrio em atuns e outros peixes comercializados no estado do Rio de Janeiro. Segundo o estudo, programas de acompanhamento e fiscalização podem ajudar na redução dos riscos associados ao consumo de pescado contaminado.

O estudo completo está disponível no link: oeco.org.br/wp-content/uploads/2026/05/1982-0224-ni-24-01-e250082.pdf.

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MTb 0022570/MG | Coordenadora de Reportagem  Site do(a) autor(a)

Pós-graduada em Jornalismo Investigativo pela Universidade Anhembi Morumbi; e graduada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Veiga de Almeida.

Atuou como produtora/repórter na Lagos TV, Coordenadora de Programação na InterTV - Afiliada da Rede Globo, apresentadora na Rádio Costa do Sol FM e editora no Blog Cutback. É repórter no Portal RC24h desde 2016 e coordenadora de reportagem desde 2023, além de ser repórter colaboradora no jornal O Dia/Meia Hora. Também é criadora de conteúdo para a Web 3.0.

Vencedora do 3º Prêmio Prolagos de Jornalismo Ambiental, na categoria web.

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