13/03/2026 — 11:35
  (Horário de Brasília)

Estudante denuncia racismo após ser acusada de furto e revistada em frente à prefeitura de São Pedro da Aldeia

Mulher afirma que funcionária da Assistência Social a apontou como autora do furto de celular diante de policiais militares; abordagem terminou sem que nada fosse encontrado

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Uma estudante da Universidade Federal Fluminense (UFF) denunciou ter sido vítima de racismo após ser acusada de furto e submetida a uma revista por agentes de segurança em frente à Prefeitura de São Pedro da Aldeia. O caso aconteceu na manhã da última terça-feira (10). A vítima, identificada como Vera Lúcia, moradora de Cabo Frio, afirma que foi apontada como suspeita do furto de um telefone celular por uma funcionária da Secretaria Municipal de Assistência Social logo após ter estado no local para retirar um documento necessário para iniciar um estágio.

De acordo com o relato e com o Boletim de Ocorrência, a funcionária afirmou diante de policiais militares – que utilizavam câmeras corporais – que Vera teria sido a única pessoa presente na sala no momento em que o aparelho desapareceu. A acusação levou à abordagem da estudante em frente ao prédio da prefeitura.

Segundo Vera, ela chegou à Secretaria de Assistência Social por volta das 8h da manhã para buscar um memorando necessário para formalizar o início do estágio em um dos setores da pasta. Após retirar o documento, ela seguiu para o terminal rodoviário para retornar para casa, já que a supervisora responsável não estava presente no local onde o estágio seria realizado.

“Eu peguei o memorando e fui para o terminal pegar o ônibus. Foi quando uma funcionária da secretaria me abordou e pediu para eu voltar para a sede”, contou.

Ainda de acordo com a estudante, a funcionária – identificada como Renata Maria – informou que havia um erro na assinatura dos documentos e solicitou que ela retornasse ao prédio da prefeitura. No entanto, ao se aproximar do local, Vera afirma que foi surpreendida por uma viatura da Polícia Militar e informada de que um celular havia desaparecido dentro da secretaria.

A estudante relata que foi cercada por agentes de segurança em frente à prefeitura, diante de várias pessoas, e posteriormente conduzida para uma sala dentro do prédio, onde foi submetida a revista pessoal.

Segundo o Boletim de Ocorrência, o procedimento foi realizado por uma guarda municipal feminina e não houve necessidade de retirada de roupas. A estudante afirma que mais de dez agentes – entre policiais militares e guardas municipais – estavam presentes no momento da abordagem. “Durante todo o procedimento fui tratada como criminosa. Tive que esvaziar minha bolsa e, quando viram que não havia nada, todos simplesmente foram embora”, relatou.

Vera Lúcia, que se declara uma mulher negra, afirma acreditar que a acusação e a abordagem tiveram motivação racial. “É inadmissível que profissionais da Assistência Social e Direitos Humanos ajam assim, acusando sem provas e baseando-se apenas em preconceito. Fui vítima de racismo cometido por quem deveria combatê-lo”, afirmou.

Procurada pela reportagem, a Polícia Militar informou que a viatura estava posicionada em frente à Prefeitura de São Pedro da Aldeia devido a uma manifestação popular marcada para as 9h, motivada pelas fortes chuvas e alagamentos registrados em alguns bairros do município.

Segundo a corporação, os policiais foram acionados por uma funcionária da prefeitura que relatou o desaparecimento de um celular dentro de sua sala. Ainda de acordo com a PM, a funcionária informou aos agentes que havia ido até o terminal rodoviário e retornado acompanhada da pessoa que, segundo ela, havia estado anteriormente no local.

Diante da denúncia, os policiais orientaram a funcionária sobre os procedimentos legais cabíveis e acompanharam a estudante até o interior da prefeitura, onde foi realizada revista pessoal por guardas municipais femininas. A Polícia Militar informou ainda que a guarnição permaneceu no local acompanhando o procedimento com o objetivo de garantir a integridade física da pessoa apontada como suspeita.

Em nota, a Prefeitura de São Pedro da Aldeia, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos de São Pedro da Aldeia, informou que tomou conhecimento do episódio após a ocorrência dos fatos. A Secretaria disse que acompanha a situação e “permanece à disposição para colaborar com os esclarecimentos que se fizerem necessários no âmbito das investigações”.

Por fim, foi confeccionado um Boletim de Ocorrência e todos os envolvidos foram liberados no local após as orientações legais.

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MTb 0022570/MG | Coordenadora de Reportagem  Site do(a) autor(a)

Pós-graduada em Jornalismo Investigativo pela Universidade Anhembi Morumbi; e graduada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Veiga de Almeida.

Atuou como produtora/repórter na Lagos TV, Coordenadora de Programação na InterTV - Afiliada da Rede Globo, apresentadora na Rádio Costa do Sol FM e editora no Blog Cutback. É repórter no Portal RC24h desde 2016 e coordenadora de reportagem desde 2023, além de ser repórter colaboradora no jornal O Dia/Meia Hora. Também é criadora de conteúdo para a Web 3.0 na Hive.

Vencedora do 3º Prêmio Prolagos de Jornalismo Ambiental, na categoria web.

Giulia Navarro
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