Dez pinguins-de-Magalhães foram devolvidos ao mar na última quarta-feira (4), durante uma operação realizada a bordo de uma embarcação em Arraial do Cabo. Os animais passaram por um processo de reabilitação após serem resgatados no litoral brasileiro e receberam transmissores satelitais para que pesquisadores possam acompanhar seus deslocamentos depois da soltura. A ação foi realizada pelo Instituto Albatroz, responsável pelo Projeto de Monitoramento de Praias (PMP-BC/ES) da Petrobras em parte da região.
A soltura reuniu aves que passaram por atendimento em diferentes instituições de conservação. Cinco pinguins foram resgatados pelo Instituto Albatroz em praias de Cabo Frio, Búzios e Arraial do Cabo e permaneceram em recuperação no Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD) da organização.
Outros quatro animais foram encaminhados pelo Instituto Mamíferos Aquáticos (IMA), da Bahia. Já um quinto pinguim foi inicialmente estabilizado pelo Instituto de Pesquisa e Conservação Marinha (IPCMar) e concluiu o processo de reabilitação no Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (IPRAM), no Espírito Santo.
As instituições envolvidas integram a Rede Brasileira de Atendimento a Encalhes e Informação de Pinguins (REPIN), que promove a cooperação técnica e o intercâmbio de informações entre equipes responsáveis pelo atendimento e pela conservação da espécie.
Pinguins receberam transmissores para acompanhamento
Além da reabilitação, os animais passaram por procedimentos de identificação individual. Antes da soltura, foram implantados microchips subcutâneos com numeração específica em cada ave, permitindo o reconhecimento dos indivíduos.
Os pinguins também receberam transmissores satelitais fixados na região lombar por meio de uma técnica adesiva. Segundo o Instituto Albatroz, os equipamentos não ultrapassam 3% do peso corporal dos animais e permitem acompanhar os deslocamentos após o retorno ao ambiente natural.
A tecnologia será utilizada para investigar as rotas percorridas pelas aves, identificar as áreas utilizadas durante a migração e verificar se os animais permanecem juntos ao longo da viagem.
O Projeto de Monitoramento de Pinguins-de-Magalhães por Telemetria Satelital (PMP-TS) é uma iniciativa científica vinculada às exigências do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O projeto é executado pela Perenco, LAATM/FURG e BMP Ambiental, com foco no estudo do comportamento migratório e na conservação da espécie.
Recuperação exigiu acompanhamento veterinário
O trabalho de resgate e reabilitação começou em junho, com a participação de técnicos de campo, monitores, médicos veterinários, biólogos e tratadores. Segundo o Instituto Albatroz, a maior parte das aves chegou ao centro de atendimento em estado crítico, apresentando magreza acentuada, hipotermia e debilidade física.
Durante o tratamento, os animais receberam fluidos, aquecimento e alimentação específica para atender às necessidades nutricionais. O acompanhamento também incluiu exames laboratoriais e de imagem para avaliar as condições de saúde de cada indivíduo.
O processo permitiu que alguns pinguins recuperassem até 60% do peso corporal durante o período de tratamento. Um dos animais, que apresentava anemia severa, precisou receber uma transfusão de sangue de outro pinguim que já havia passado pela reabilitação.
A soltura em grupo também faz parte dos cuidados com a espécie. Por serem animais gregários, os pinguins-de-Magalhães possuem comportamento social e, por isso, a devolução ao ambiente natural deve considerar essa característica.
Migração leva pinguins ao litoral brasileiro
Durante o outono e o inverno, os pinguins-de-Magalhães deixam suas colônias reprodutivas na Patagônia Argentina em busca de alimento em águas mais quentes. Nesse deslocamento, chegam principalmente ao litoral das regiões Sul e Sudeste do Brasil.
Muitos desses animais são jovens e ainda não possuem experiência suficiente para enfrentar a longa jornada. Por isso, podem acabar encalhando nas praias, debilitados, desidratados e com dificuldades para continuar o percurso.
A interação com equipamentos de pesca e a poluição marinha também representam riscos para as aves durante a migração, podendo agravar as condições dos animais encontrados no litoral.
Monitoramento abrange 25 praias da Região dos Lagos
O Instituto Albatroz executa o Projeto de Monitoramento de Praias da Petrobras em Cabo Frio, Búzios e parte de Arraial do Cabo. O trabalho contempla 25 praias distribuídas por aproximadamente 54 quilômetros de litoral.
As equipes realizam o monitoramento diariamente, com deslocamentos a pé e utilização de quadriciclos. O objetivo é localizar animais marinhos encalhados, prestar atendimento quando necessário e reunir informações importantes para as ações de conservação.
A iniciativa atende a uma condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades de produção e escoamento de petróleo e gás natural da Petrobras, sob condução do Ibama.
O Instituto Albatroz é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que atua desde 2003 na conservação de albatrozes e petréis que se alimentam em águas brasileiras. A instituição também coordena o Projeto Albatroz, patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.
Moradores que encontrarem animais marinhos encalhados ou precisando de atendimento na área de atuação do projeto podem acionar as equipes do PMP-BC/ES pelo telefone 0800 991 4800. A orientação é não tentar devolver os animais ao mar por conta própria, evitando riscos tanto para as pessoas quanto para a fauna.





