Áudios inéditos revelam denúncias de tortura durante ditadura no Brasil

No total, foram contabilizadas 10 mil horas de áudios; análise das sessões foi realizada por historiador e divulgada no blog da jornalista Miriam Leitão

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Áudios de sessões do Superior Tribunal Militar (STM) publicados neste domingo (17) pela jornalista Míriam Leitão, colunista do jornal O Globo, mostram relatos de tortura durante o período da ditadura militar (1964-1985).

Ao todo, são mais de 10 mil horas de gravações, e os áudios foram analisados pelo historiador Carlos Fico, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ouça os áudios aqui.

No total, foram contabilizado 10 mil horas de áudios. As gravações foram obtidas por meio da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2015. Foram registradas as falas de sete ministros. Nas gravações, é possível ouvir alguns ministros, como o brigadeiro Faber Cintra, duvidando dos relatos de tortura. Outro, como o general Rodrigo Octávio, solicitam apurações do caso. Além disso, também há relatos de tortura com marteladas e choques elétricos, inclusive a mulheres grávidas.

Em um desses áudios, um general defende a apuração do caso de uma grávida de três meses que sofreu aborto após choques elétricos na genitália. No áudio 1, do general Rodrigo Octávio, de 24 de junho de 1977, durante julgamento da Apelação 41. 048, é dito que o a mulher de um homem, José Roberto Monteiro, sofreu uma aborto no próprio Doi-Codi, (Destacamentos de Operação Interna – Centro de Operações de Defesa Interna), “em virtude de choques elétricos em seu aparelho genital, fato ocorrido no dia 8 de abril de 1974”, revela gravação.

Em um dos trechos, o ministro Waldemar Torres da Costa teria dito que estaria começando a acreditar na existência de torturas, já que havia precedentes. “Quando as torturas são alegadas e, às vezes, impossíveis de ser provadas, mas atribuídas a autoridades policiais, eu confesso que começo a acreditar nesses torturas”, mostra outro áudio de 13 de outubro de 1976, da apelação 41.229.

Já em um trecho de 1977, o advogado Sobral Pinto, conhecido por defender perseguidos políticos durante a ditadura, contesta que não acredita na tortura, durante julgamento de apelação 41.301, publicou o jornal O Globo. Os áudios eram analisados desde 2018 pelo professor Carlos Fico.

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