A Câmara Municipal de Armação dos Búzios realizou, nesta quinta-feira (29), uma audiência pública para discutir a situação ambiental do Rio Una. Presidido pelo vereador Anderson Chaves, o encontro reuniu autoridades, especialistas, representantes de órgãos públicos e moradores, com participação da sociedade civil.
Durante a abertura, o parlamentar destacou que os problemas relacionados ao rio são antigos, com registros de poluição apontados há cerca de quatro décadas. Segundo ele, o debate buscou reunir diferentes setores para discutir soluções e encaminhamentos.
Representando o movimento SOS Rio Una, Carolina Masieri afirmou que indicadores ambientais apontam agravamento recente da situação. Entre os dados citados está o aumento da demanda bioquímica de oxigênio (DBO), parâmetro utilizado para medir a qualidade da água e o nível de matéria orgânica presente no ambiente.
O engenheiro e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Adacto Ottoni, afirmou que o Rio Una não teria capacidade para receber novas cargas de efluentes. Ele defendeu a ampliação de estudos técnicos para identificar a origem da poluição e se posicionou contra a transposição de efluentes para o local.
Também presente na audiência, o engenheiro Carlos Muniz relacionou o aumento da poluição à produção de vinhoto pela Agrisa, além de apontar impactos provocados pela ocupação urbana sem planejamento.
O procurador da República Leandro Mitidieri destacou os reflexos ambientais e sociais em comunidades tradicionais, como quilombolas e marisqueiras. Segundo ele, existem investigações em andamento sobre outros corpos hídricos da região, além de ações judiciais relacionadas a despejo de esgoto e resíduos industriais. Mitidieri também defendeu o aprofundamento das apurações para identificação de responsabilidades e mencionou desigualdades no acesso ao saneamento básico.
Representantes da Prolagos afirmaram que não há transposição de efluentes para o Rio Una e classificaram o cenário como complexo. A concessionária informou investimentos de cerca de R$ 31,3 milhões na ampliação da rede de esgoto na região de Maria Joaquina.
Moradores e trabalhadores locais também participaram da audiência. Representantes de marisqueiras relataram impactos diretos na atividade econômica, da qual dependem dezenas de famílias.
O encontro foi acompanhado de forma online pela Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e terminou com a indicação de continuidade das investigações e da discussão de medidas voltadas ao enfrentamento dos impactos ambientais no Rio Una.








