POLÍTICA / Pré-candidatos ao cargo de prefeito de Cabo Frio dão pontapé inicial às articulações para eleição de 2020

Mais de 10 nomes das mais variadas correntes políticas surgem como opções para o eleitorado, mas a janela partidária que ocorre pouco antes das eleições ainda pode fazer com que alguns pré-candidatos migrem para um novo partido que tenha um perfil mais conservador ou progressista


O Portal RC24h inicia uma série de reportagens onde analisa o perfil dos pré-candidatos ao cargo de prefeito em cada uma das cidades da Região dos Lagos, traçando um panorama sobre as primeiras articulações para as eleições municipais de 2020.

Pela primeira vez o viés ideológico (que resultou em uma polarização política a nível nacional), será crucial em uma eleição municipal, com o posicionamento de cada um dos atores políticos ficando cada vez mais delimitado e determinante na disputa pelo voto. O perfil personalista das eleições, onde as pessoas votavam no político sem olhar o partido, perdeu a força na região, e os candidatos já perceberam que apenas o peso do nome não será suficiente para vencer o pleito.

Em Cabo Frio, mais de 10 nomes das mais variadas correntes políticas surgem como opções para o eleitorado, mas a janela partidária que ocorre pouco antes das eleições ainda pode fazer com que alguns pré-candidatos migrem para um novo partido que tenha um perfil mais conservador ou progressista.

Dos que já tornaram público o desejo de assumir a Prefeitura de Cabo Frio, o mais alinhado à extrema direita é Dr. Serginho, deputado estadual líder do PSL na Região dos Lagos e que soube aproveitar a onda bolsonarista para se tornar um dos principais representantes do partido do presidente da república no estado do Rio. Serginho confia que contará também com o apoio do deputado estadual Subtenente Mauro Bernardo, que foi cogitado como candidato à prefeito, mas garante que não irá concorrer.

Na outra ponta, o candidato mais alinhado à extrema esquerda é Leandro Cunha, que concorreu ao cargo de prefeito de Cabo Frio pelo PSOL nas últimas eleições municipais. Nos bastidores, se comenta a possibilidade do PSOL lançar Professor Rogério como o candidato da sigla em 2020, o que ainda será debatido internamente pelo partido nos próximos meses.

Como pré-candidato que pode ser classificado como de centro esquerda, surge Rafael Peçanha, que construiu sua trajetória política com um perfil mais progressista, atuando pelo PDT, mas que sinaliza mudança para uma nova sigla durante a janela partidária, buscando uma postura mais moderada, tentando atrair um eleitorado do campo centro direita.

A saída de Rafael Peçanha do PDT abriu espaço para a volta do ex-prefeito, José Bonifácio, que apesar de ser de centro esquerda, sabe usufruir de toda sua experiência política para manter diálogos cordiais com todas as correntes políticas. Bonifácio é um dos poucos políticos da região que ainda podem desfrutar da teoria do personalismo, já que goza de boa reputação política entre conservadores e progressistas por sua postura moderada, mesmo sendo brizolista raiz, dos anos 80, ao qual sempre foi relacionado.

Marquinho Mendes (MDB), ex-prefeito alinhado à direita, também diz concorrer à eleição e acredita no personalismo em volta de seu nome como trunfo, apesar de sua imagem pessoal ter sido maculada em função da série de processos ao qual respondeu nos últimos anos e à condenação que o afastou do cargo de prefeito em 2017. Apesar do desejo explícito de voltar à Prefeitura, juristas afirmam que o ex-prefeito se encontra inelegível por questões judiciais. Mas a aposta é que ele transfira seu eleitorado para um escolhido ou escolhida. Existe a hipótese dele apontar a esposa, Kamilla Mendes, para substituí-lo.

Quem também pode surgir como opção do grupo de Marquinho Mendes é Luis Geraldo (PRB), atual presidente da Câmara Municipal, alinhado à centro direita que tem bom traquejo político nos bastidores. Apesar de conservador, Luiz Geraldo tem demonstrado habilidade ao mediar os diálogos entre todas as correntes ideológicas presentes na Câmara, mantendo independência dos diversos grupos na cidade. 

Ainda na centro direita (ou esquerda), surge como opção o vereador Aquiles Barreto (SD), que assumiu a pré-candidatura em 2020. O jovem vereador foi a principal e mais recente revelação do grupo político de Marquinho Mendes, e agora parece seguir um caminho cada vez menos ligado ao ex-prefeito, podendo abocanhar grande parcela de eleitores e aliados de MM que seguem o mesmo caminho. O filho do ex-vereador e ex-secretário Alfredo Barreto é bem articulado e tem um discurso apaziguador que flerta com o campo progressista, apesar de estar ligado partidariamente a um grupo mais conservador.

Ainda na centro direita, Dr. Adriano Moreno, atual prefeito de Cabo Frio, migrou recentemente da Rede para o DEM, partido de postura mais conservadora. O chefe do executivo vem tentando alavancar seu governo e a imagem pessoal com medidas que incluem uma recente troca no secretariado, mas as últimas pesquisas indicam que a popularidade de Adriano não é mais a mesma que o levou ao cargo. Mesmo contestado, o prefeito não cogita abrir mão de disputar a reelaição. 

Após dois mandatos de vereador na Câmara Municipal, Jefferson Vidal (PSC) sonha com voos mais altos, e já declarou a intenção de concorrer ao cargo de chefe do executivo em 2020. Conhecido pelo seu pragmatismo político, tem um perfil de direita, e certamente irá migar para outro partido durante a janela partidária já que o PSC foi para as mãos de Dr. Serginho. Especula-se que o destino de Vidal possa ser o Avante.

Cristiane Fernandes (PSDB), que se aventurou como candidata a prefeita na última eleição após romper com Dr. Adriano, acumulou experiência desde o último pleito e vai concorrer novamente ao cargo. A vereadora de centro direita, que chegou a ser anunciada extraoficialmente como vice na chapa do atual prefeito de Cabo Frio mas acabou preterida às vésperas da eleição, fortaleceu a imagem pessoal durante o momento de adversidade e se consolidou como oposição a Adriano.

Letycia Jota (PSC), vereadora de primeiro mandato, vem atuando com pautas populares e aposta no voto das comunidades para se alçar ao cargo de prefeita. A candidata de centro direita, que recebeu sugestões de aliados para que invista em uma reeleição como vereadora antes de se arriscar ao cargo de chefe do executivo, já articula novas alianças e está praticamente de malas prontas para o PP, aguardando apenas o prazo estipulado pela justiça para trocar de partido.

Alinhado à direita, o ex-prefeito Alair Corrêa (Podemos) expressou publicamente na última semana que pode se aventurar no pleito de 2020, mas o cenário político e a imagem desgastada do experiente político parecem não ser favoráveis. Além disso, questões judiciais podem tirar o experiente político da disputa, já que está inelegível por oito anos depois que teve as contas rejeitadas pela Cãmara esse ano.  

 

UM POUCO DE HISTÓRIA* - COMO SURGIU A DIVISÃO POLÍTICA ENTRE ESQUERDA E DIREITA?

O que muita gente não sabe, na verdade, é que os termos “esquerda” e “direita”, com conotação política, surgiram durante a Revolução Francesa, em 1789. Na ocasião, extremistas jacobinos se sentaram à esquerda e os liberais girondinos se sentaram à direita, no salão da Assembleia Nacional Constituinte – a elite literalmente não quis “se misturar” com a burguesia.

Nessa reunião, quem estava à direita reivindicava uma revolução liberal, com o fim dos privilégios da nobreza e do clero e a garantia do direito à igualdade perante a lei – a classe da direita passou a representar o lado conservador, tradicional e que pretendia manter o poder da elite e buscar medidas de gerar bem-estar individual. Já quem estava à esquerda também reivindicava o fim dos privilégios, mas eles eram favoráveis à luta pelos direitos dos trabalhadores e dos mais pobres, assim como à noção do bem-estar coletivo.

Atualmente, de acordo com o filósofo político Boberto Bobbio, em declaração publicada no Geledés, o lado esquerdo da política busca promover reformas que afetem questões de justiça social; e o lado da direita defende medidas que afetem a liberdade individual. Vale ressaltar, no entanto, que, na prática, essas definições não são aplicadas apenas dentro desses moldes.

A política do século 21 é muito mais diversificada do que as categorias “esquerda” e “direita”, com partidos políticos de cada lado defendendo interesses que se intercalam, no final das contas. Quando falamos na polarização da política no Brasil, precisamos considerar também a Ditadura Militar, que foi um período bastante separatista nesse sentido: quem era a favor do poder militar era da direita, e quem pregava um regime socialista, de esquerda.

*Fonte: megacurioso.com.br

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