FEMINICES / JULIANA MONTEIRO - Mulheres vencendo no mercado de trabalho

Sabemos que o desafio é grande e não é tarefa fácil conciliar os papéis de mãe, dona de casa e esposa com a rotina profissional, num cenário que, não raro, é masculinizado


A luta da mulher por espaço no mercado de trabalho é um tema repetido nos dias de hoje. Há um número de pessoas, organizações e iniciativas incalculáveis engajadas pela ascensão profissional feminina e o assunto é frequente em noticiários.

Sabemos que o desafio é grande e não é tarefa fácil conciliar os papéis de mãe, dona de casa e esposa com a rotina profissional, num cenário que, não raro, é masculinizado.

Superar obstáculos impostos por comportamentos brutalizados, assumir responsabilidades demonstrando firmeza e equilíbrio, além de possuir capacidade de decisão, são atributos importantes e requer capacitação, dedicação e perseverança.

Mas será que estamos indo bem? Dados extraídos da Relação Anual de Informações Sociais mostram que as mulheres vêm ganhando espaço em cargos de chefia. Cargos de diretoria avançaram de 31,9% em 2003 para 42,4 % em 2017. 

A consultoria GPTW - Great Place to Work, que em tradução livre significa Melhor Lugar para Trabalhar e que certifica os melhores ambientes profissionais em mais de 50 países ao redor do mundo, realizou neste mês a terceira edição brasileira do GPTW Mulher. No evento, que teve o tema “10% Não é Metade”, contou com 444 empresas inscritas, houve o reconhecimento daquelas que incentivam a liderança feminina. Foram 55 premiadas, entre elas a Johnson & Johnson, Magazine Luiza e Mastercard.  Nestas companhias as mulheres compõem cerca de 56% do quadro de funcionários, sendo 45% dos cargos de média liderança e 26% na alta liderança.

Segundo Mariana Tolovi, conselheira da GPTW, “Temos muitas mulheres no ambiente de trabalho, mas precisamos avaliar como elas estão progredindo na carreira. As profissionais estão muito bem na média liderança, mas na alta liderança a participação delas caiu no último ano”. Na média gestão o avanço das mulheres tem sido melhor. Entre 1997 e 2018, aumentou de 18% para 45%.

Segundo a GPTW, o percentual de mulheres em cargos de chefia, considerando as 150 melhores empresas para trabalhar no Brasil, subiu de 11% em 1997 para 42 % em 2018.

Na área educacional a presença feminina está destacada. Segundo dados do Censo Escolar 2018 do INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - as mulheres compõem a maioria dos cursos profissionais da educação básica. Em todas as faixas etárias, exceto acima dos 60 anos, encontra-se a predominância de alunas. No último censo de educação do ensino superior, também verifica-se a predominância feminina. Elas correspondem a 61% dos que concluem um curso de graduação. Na licenciatura o percentual alcança 70,6%.

Ao analisarmos profissões liberais tradicionais, como advocacia e medicina, mais uma vez encontramos o avanço feminino. Segundo informações da OAB - Ordem dos Advogados do Brasil - há  mais de 543 mil mulheres advogadas no país, representando 48,78% da profissão.  Na medicina a ascensão da mulher é um fenômeno. Em 2017, elas eram 45,6% dos profissionais em atividade e entre os médicos mais jovens já são maioria. Representam 53,7% no grupo entre 30 e 34 anos e 57,4% na faixa de até 29 anos.

Ainda na área da saúde destaca-se a enfermagem. A pesquisa Perfil da Enfermagem, promovida pelo Cofen - Conselho Federal de Enfermagem, conclui que a prevalência feminina é inconteste. As enfermeiras correspondem a 85,1 % das profissionais do setor.

Outra área que é “queridinha” das mulheres é a farmácia, uma das graduações mais promissoras atualmente. Segundo a pesquisa intitulada O Perfil do Farmacêutico no Brasil, promovida pelo conselho federal da profissão, a maioria dos farmacêuticos é formada por mulheres, que alcançam incríveis 67,5%.

Na área de psicologia encontrei números ótimos. Em todos os estados da federação o número de psicólogas é bem superior ao de profissionais do sexo masculino. Em nosso estado temos mais de 35 mil psicólogas, enquanto os homens somam menos de 6 mil. Em São Paulo a diferença é ainda maior, 88 mil são mulheres e apenas 13 mil são homens.

Estes números mostram que temos motivos para comemorar. No entanto, há setores profissionais, como por exemplo a magistratura, que permanecem predominantemente ocupados por homens. Um relatório de 2018 do Conselho Nacional de Justiça demonstrou que a participação da mulher no Poder Judiciário é inferior a dos homens. Apenas 37% são mulheres. Ainda assim, se olharmos para o passado, verificamos uma melhora. Em 1990 as mulheres magistradas representavam 25% da carreira.

 Já temos bastante motivo para celebrar nossas vitórias! A diferença salarial entre homens e mulheres ainda é um desafio a ser superado, por isso devemos seguir engajadas. Fazer com que os homens também ocupem o espaço em nosso lar ajudando na criação dos filhos e nos cuidados com a casa também é necessário para que nossa vida profissional não seja esquecida.

 

*Juliana Monteiro atua na área da moda desde 2001, com especializações em designer de moda na Universidade Bandeirantes e no ramo gastronômico com ênfase na preservação do meio ambiente. Empreendeu criando sua própria marca de moda praia e sapatilhas e agora compartilha seu olhar experiente e profissional na coluna Feminices. / Contatos: *(22) 98151-7330; *e-mail: feminices.borboletas@gmail.com; *insta: @feminices.borboletas

Categorias: Comportamento

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