FEMINICES / JULIANA MONTEIRO - A bola da vez é das mulheres!

Estamos na 8ª edição da Copa do mundo Feminina, enfim assistimos ao fortalecimento da cultura das mulheres no esporte


Como pode um esporte que virou paixão nacional ser tão mal visto quando são as mulheres que entram em campo. Olhando para traz na nossa história é possível entender porque tanto preconceito de meninas com chuteiras. Em 1941 o presidente Getúlio Vargas assinou um decreto proibindo mulheres no esporte pois "contrariava sua natureza humana". Com isso, times femininos que estavam ganhando popularidade foram reprimidos. Ignorando a Lei, as meninas do Atlético Clube de Araguari demonstraram donas de seus próprios corpos e continuaram no esporte. Elas abriram importantes jogos, sobrevivendo por se apresentarem como um "show artístico", que por muitas vezes se transformou na atração principal. Com a ditadura militar, de 1965, o esporte foi definitivamente marginalizado entre as mulheres até serem reprimidas, proibidas de jogar e deixadas no esquecimento.

Somente em 1979 que as mulheres puderam jogar futebol livremente. A essa altura o time brasileiro masculino já era tricampeão mundial com as conquistas de 1958 (Suécia), 1962 (Chile) e 1970 (México). Nosso time já conhecia craques como Pelé, Garrincha e Zagallo. As mulheres simplesmente não tinham visibilidade alguma. Fico imaginando quem seriam as jogadoras craques se o machismo não tivesse invadido nosso espaço durante 38 anos.

Estamos na 8ª edição da Copa do mundo Feminina, enfim assistimos ao fortalecimento da cultura das mulheres no esporte. Uma grande conquista são os jogos da seleção brasileira serem transmitidos ao vivo em canal aberto e a flexibilização de horário em repartições municipais, estaduais e federais para acompanhar os jogos do Brasil.

O poder da representatividade feminina tem nomes como Marta, Cristiane, Formiga, Geyse e tantos outros, mas não posso deixar de citar Nilmara Alves, a primeira mulher que obteve o registro de técnica da CBF e comanda times masculinos com muita determinação. "Se a mulher tiver oportunidade de comandar, tempo de trabalho e apoio, tenho certeza que ela será tão bem-sucedida quanto o homem. Acredito que o futebol ainda vai reconhecer nosso valor", observa Geyse.

A diferença na premiação entre jogos masculinos e femininos ainda é constrangedor, assim como a falta de tática do treinador Vadão. Os jogos amistosos não foram muito positivos, mas desafio é algo que toda mulher conhece bem e enfrenta com honra. Talvez seja a hora de uma técnica comandar nossa equipe para a próxima aposta!

Fortes e ágeis no campo, lindas e bem cuidadas fora do jogo. São mulheres de diversas etnias que formam as 24 seleções. Aproveitando essa imagem de guerreiras saudáveis, diferentes marcas de produtos e serviços trouxeram as imagens das jogadoras em campanhas investindo, apoiando e incentivando a visibilidade dos jogos femininos. Na sessão de beleza da coluna FEMINICES de hoje, vou deixar algumas imagens para inspirar nos cuidados e no esporte!

 

 

 

 

 

*Juliana Monteiro atua na área da moda desde 2001, com especializações em design de moda na Universidade Bandeirantes e no ramo gastronômico, com ênfase na preservação do meio ambiente. Empreendeu criando a própria marca de moda praia e sapatilhas. Agora compartilha o olhar experiente e profissional na coluna Feminices. / Contatos: *(22) 98151-7330; *e-mail: feminices.borboletas@gmail.com; *insta: @feminices.borboletas

 

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