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#EXCLUSIVORC24H - Suspeitas começaram antes do contrato emergencial da Comsercaf, afirma delegado da PF

Em entrevista exclusiva ao Portal RC24h, o delegado Felício Laterça de Almeida contou detalhes da Operação Basura

Em: 05/12/2017 às 17:29:43
Equipe RC24h

O delegado da Polícia Federal, Felício Laterça de Almeida, responsável pelas investigações que culminaram na deflagração da Operação Basura, na manhã desta terça-feira (5), em Cabo Frio, afirmou em entrevista exclusiva ao Portal RC24h, que as suspeitas de fraude surgiram antes mesmo dos contratos emergenciais da Comsercaf começarem a vigorar. Segundo ele, no início do ano, denúncias informando que carros novos, caracterizados e prontos para uso, já estavam na cidade, escondidos em um galpão, cobertos com lonas, chegaram à Polícia Federal. Isso antes mesmo da Prefeitura decretar o estado de calamidade que culminou no fechamento dos contratos emergenciais (sem licitação), para a coleta de lixo.

 

Foi então que a PF começou a investigar e descobriu que a Primer, empresa que ganhou o contrato, não possuía estrutura e disponibilidade financeira para prestar o serviço. E mais, a mesma estava registrada em nomes de laranjas, em Portugal.  “Depois de vários indícios, conseguimos materialidade para a denúncia, foi então que entramos como medidas cautelares para que a justiça autorizassem as escutas”, disse o delegado.

 

Segundo Dr. Laterça, as investigações que começaram em fevereiro e seguem até os dias de hoje, dão conta que o presidente da Comsercaf, Cláudio Moreira, comandava uma organização criminosa responsável por crimes como peculato e fraude em licitação, que custaram ao município R$ 60 milhões em desvios. “Os contratos emergenciais iam sendo prorrogados. Depois, viu-se que, a empresa contratada emergencialmente era a mesma que ganhou a licitação”, disse o delagado.

 

 

De acordo com Dr Laterça, tanto a operação quanto a investigação foram feitas pela Polícia Federal. O comandante da operação disse também que a denúncia feita pelo vereador Rafael Peçanha não deram peso às investigações, que já estavam em andamento quando o edil apresentou as suspeitas para o Ministério Público. Quanto ao passado da Comsercaf, que já esteve no centro de outros escândalos no governo passado, Dr. Laterça disse que na época não houve materialidade, “mas a PF tem interesse em investigar”, disse ele garantindo que nada foi esquecido.

 

 

O delegado afirmou ainda que “há muito bandido para pouco mocinho” e que as polícias civil e militar não prendem mais corruptos por falta de estrutura e investimentos nas corporações. Mas Dr Laterça ressalta que nesse primeiro momento, as investigações vão se ater a gestão de Claudio Moreira, mas que vão avançar no passado também: “nessa primeira fase, vamos nos ater aos fatos presentes (governo atual). Mas vamos continuar investigando o que se passou no governo anterior (Alair)", disse ele de forma cautelosa, preocupado em revelar detalhes que comprometem o trabalho da polícia.

 

 

O delegado explicou que embora no entendimento do cidadão comum as investigações e prisões deveriam ocorrer por ordem cronológica, que para justiça, a celeridade das ações, dependem do andamento. “Como os esquemas estavam em curso, o juiz entendeu e acatou nossas solicitações para garantir provas que assegurassem a prisão, tais como escutas telefônicas. No caso do governo passado, precisamos de mais tempo para reunir provas consistentes”, explicou o doutor.

 

 

Laterça salientou ainda que nesta terça-feira foi fechada apenas a primeira etapa da Operação Basura, que ainda vai se desdobrar em outras frentes, como a iluminação pública, varrição, aluguel de ambulância e funcionários fantasmas. E mais, o delegado afirma que a operação pode sim chegar a outras cidades da região.


 Tópicos: Dr Laterça,  Policia Federal,  Operação Basura,  COMSERCAF,  Claudio Moreira, 


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Renata Cristiane

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