Polícia

CABO FRIO - Mãe aciona justiça e acusa hospital do Rio de erro médico

Filha de 15 anos, com necessidades especiais, teve braço amputado depois de tratar uma pneumonia

Em: 13/07/2017 às 18:58:42
Andréa Reys

Uma mãe de Cabo Frio desesperada e que tenta acordar de um pesadelo. Não bastasse a luta diária que trava, há 15 anos, com a filha portadora de necessidades especiais, por conta da microcefalia, Ioná Oliveira encara agora uma peleja na justiça, onde acusa um hospital particular do Rio de Janeiro de erro médico. Em junho deste ano, Esther Victorino Oliveira foi internada, por meio de convênio médico, para tratar de grave pneumonia na capital, pois em Cabo Frio não há UTI pediátrica. O que seria um alívio para a mãe se transformou num transtorno, pois o fim dessa história foi a amputação do braço direito da menina, em função de uma trombose contraída ainda no hospital Prontobaby, na Tijuca, zona norte da capital.


O corpo tão pequeno - Esther tem 1m de altura e pesa 15kg - guarda marcas temporárias do tratamento, mas uma nunca será apagada, já que a menina entrou inteira e após vários procedimentos saiu sem o bracinho direito. 


Dona Ioná recebeu a reportagem do Portal RC24h em sua casa, no bairro da Gamboa, para contar o casoSegundo explicou Ioná, a maratona começou dias antes do feriado de Corpus Christi deste ano, quando Esther contraiu uma pneumonia - a terceira do ano. Episódio este não raro nos últimos dois anos, período em que a paciente teve pneumonias com frequência.


"Como sempre, levamos ela para o hospital Santa Izabel, mas o caso era grave e ela precisaria ficar internada numa UTI pediátrica, o que não existe em Cabo Frio. De lá, ela foi transferida para um hospital em Caxias, mas também era inviável e então foi para a Prontobaby, no Rio. Respirei aliviada, pois ela já estava acostumada com o local, já tinha sido internada lá em outras crises. E eles contam com equipe multidisciplinar, o que facilita o tratamento", disse a mãe de Esther.


Na véspera do feriado, médicos e enfermeiros tentavam colocar uma agulha de acesso na menina, para o tratamento, mas como ela estava muito fraquinha, não conseguiam acessar a veia nem no braço nem na mão. A solução encontrada foi acessar pela veia do pescoço, com uma espécie de cateter. Conforme Ioná, durante quase três horas uma enfermeira e uma médica se revezavam para "tentar acessar" e não conseguiam.


E foi a partir daí que o pesadelo começou. "A enfermeira vinha e me falava: 'mãe, não consegui. Já tentei de várias formas e não consigo. Vou tentar mais uma vez o procedimento, porque sem acesso sua filha não pode ficar. Quase um dia inteiro depois, várias tentativas, a médica fez o acesso na jugular direita. Isso na quarta-feira, véspera do feriado. Quando foi no dia seguinte, minha filha começou a ficar com as unhas da mão direita roxas. Chamei a enfermeira e a médica pediu para retirar o acesso. Mais um tempo depois, todas as unhas ficaram arroxeadas. A mãozinha dela estava fria, enrolaram uma faixa na mão e antebraço, na tentativa de esquentar a região. Mas nada adiantava e a cada uma hora que passava eu chamava alguém, porque estava ficando tudo roxo. Deram um anticoagulante seis horas depois. Me falaram que eu tinha que esperar porque o remédia demorava a fazer efeito. E o cenário só piorava, a mão já estava totalmente roxa, escura, e a roxidão estava subindo pelo braço. Fiz fotos e mandei por zap a amigos meus que, por sua vez, mostraram a outros médicos, na tentativa de uma segunda opinião. Foi quando um deles me ligou e disse: tira sua filha daí agora e vai para outro hospital, nem que seja público, senão você pode perder sua filha. Esta criança está com trombose; se atingir o coração e o pulmão ela corre o risco de não aguentar".

   


Ioná teve que acionar polícia e plantão judiciário, no Rio de Janeiro, para conseguir uma ambulância e a remoção da garota. Muito debilitada, foi levada de ambulância para o Souza Aguiar, onde já tinham dois cirurgiões de plantão para atendê-la. A trombose foi constatada. Passou por cirurgia, ficou o dia seguinte inteiro em sala de reanimação e foi transferida para Macaé, já que o Souza Aguiar também não tem UTI para o caso dela, que estava com o braço aberto e sujeita a contrair infecção hospitalar.

 


Em Macaé, Ioná recebeu a notícia que ninguém quer: havia passado muito tempo, a lesão era muito grave e o bracinho teria que ser amputado. Foram cinco horas de agonia. 

 


"Os funcionários do Prontobaby até me procuraram, mas foi num momento em que eu estava há mais de três dias sem dormir nem comer, não tinha condições de falar com ninguém. Fiz um boletim de ocorrência na 19ª DP (Tijuca) acusando de negligência médica o que fizeram com minha filha. Já tenho uma advogada revendo todo o caso. Isso não pode ficar impune. Porque eles nunca vão admitir que houve erro médico né?", desabafou a mãe de Esther.

 

 

HOSPITAL PRONTOBABY NEGA ERRO MÉDICO

 

"Nota de Esclarecimento à Imprensa

 

Na quarta-feira (14/06), a paciente Esther Victorino Oliveira, de 15 anos - que sofre de encefalopatia crônica progressiva por microcefalia, cardiopatia congênita, com desnutrição gravíssima (pesando 15kg) e sem conseguir se alimentar adequadamente, veio transferida de outra unidade hospitalar para o Prontobaby – Hospital da Criança, com diagnóstico de  pneumonia por bronco aspiração.

 

Internada na Unidade de Terapia Intensiva do hospital, a criança necessitava receber antibiótico por meio de terapia venosa para tratamento do quadro infeccioso em que se encontrava. Após ter passado por várias internações prévias, a paciente apresentava grande dificuldade de acesso, trombose venosa profunda na maioria dos vasos devido às diversas tentativas de acesso por dissecção venosa nas internações anteriores sem sucesso.

 

Na internação no Hospital Prontobaby foram feitas inicialmente várias tentativas de acesso periférico pela equipe de enfermagem e, apenas após não ser obtido o acesso periférico, optou-se pela punção de acesso profundo da veia jugular interna direita (na região do pescoço), esta sendo realizada por médica plantonista.

 

O procedimento, que é muito usual dentro das unidades de medicina intensiva pediátrica, foi realizado com a máxima competência pela equipe médica do hospital. Apesar disso, trata-se de um procedimento que envolve risco e não está isento de complicações, como a formação de trombos (coágulos).

 

Infelizmente, aconteceu a formação de um trombo no sistema vascular venoso do braço direito. Esse tipo de trombo normalmente fica localizado e consegue ser rapidamente absorvido com uso de medicamentos. Mas, mesmo os médicos tendo identificado que o sistema arterial estava preservado (artérias radial e braquial com pulso presentes) e acompanhado o quadro, não foi possível a reversão apenas com medicamentos, conforme consta no prontuário médico já de posse da família e autoridades.

 

Por conta disso, a equipe optou por transferir a paciente imediatamente, em caráter de urgência, na noite de 15/06, para a realização de um procedimento denomidado tromboembolectomia, no Hospital Municipal Souza Aguiar, onde havia uma equipe de emergência especializada em cirurgia vascular atuando de plantão na noite de quinta-feira, com todo o material necessário que esse tipo de procedimento demanda.

 

Vale pontuar que, diferentemente do que foi relatado à redação do Portal RC24h, a equipe médica do Prontobaby esteve no Hospital Souza Aguiar para acompanhar de perto o caso, mas a mãe de Esther se recusou a receber os médicos. Foi disponibilizado leito para que a paciente retornasse a qualquer momento para o Prontobaby, mas a mãe optou pela transferência para a Região dos Lagos. O Prontuário foi disponibilizado no dia seguinte ao pedido da mãe, e a ambulância para a remoção da paciente para o Souza Aguiar foi do próprio Prontobaby e gratuita, prontamente disponibilizada pela direção do hospital. O mesmo ocorreu com a vaga no Souza Aguiar.

 

O Hospital Prontobaby lamenta o fato e ressalta que sua equipe médica fez todo o possível para que o quadro de Esther Victorino Oliveira se revertesse da maneira menos dolorosa. O hospital se solidariza e está prestando todo o apoio à família, além de se colocar à disposição para auxiliar em toda e qualquer investigação dos órgãos responsáveis".


 Tópicos: Mãe aciona justiça contra hospital do Rio que acusa de erro médico,  Esther Victorino Oliveira, 



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Renata Cristiane

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