Política

‘Intervenção ou Impeachment’, diz Picciani ao enumerar soluções para o Rio de Janeiro sair da crise

Em reunião com servidores, nesta quinta (22), Pezão deu a entender que se estado não sair do buraco, a permanência dele no governo é incerta

Em: 22/06/2017 às 15:59:51
Da Redação*

A entrevista do presidente da Alerj, Jorge Picciani, à Rádio CBN, na manhã desta quinta-feira (22), caiu como uma bomba no Estado. Nela, o chefe da Assembleia Legislativa e presidente estadual do PMDB, afirma que a solução para o Rio de Janeiro é a intervenção federal ou impeachment do governador Luiz Fernando Pezão.

 

Picciani disse ainda que para o Estado sair da crise, é preciso que o governo federal faça a parte dele, cumprindo o acordo de ajuste fiscal, para que o Rio de Janeiro possa pagar os servidores estaduais. Para o presidente da Alerj, isso não aconteceu ainda porque o governador não tem competência e articulação política para conseguir o fechamento definitivo do acordo.

 

“Aprovamos muito mais na Previdência do que eles (governo federal) pediram. Aprovamos a Cedae. Aprovamos em cima dos incentivos fiscais o pagamento de 10% do Fundo de Equilíbrio Fiscal. Aprovamos o aumento do ITB. Aprovamos o aumento do IPVA, o aumento da energia elétrica, da cerveja e do fumo. Se nada disso for suficiente para ter respeito pelo Rio de Janeiro, só vai restar ao governo Temer ter a coragem de fazer a intervenção, porque o Rio não pode ficar nesse descontrole na área da Segurança e da Saúde, ou nós vamos fazer o impedimento”, afirmou o presidente da Alerj.

 

O curioso é que Picciani chegou a arquivar oito pedidos de impeachment contra o governador do Rio de janeiro, no fim de maio, mas, de acordo com ele, a decisão foi tomada por que não havia provas de cometimento de crime de responsabilidade.

 

“Não havia objeto naquele momento. O crime de responsabilidade está, agora, textualizado em dois documentos. O primeiro na rejeição das contas de 2016 do parecer prévio do TCE-RJ por unanimidade, que aponta indícios de crime de responsabilidade por descumprir dispositivos constitucionais. O outro que eu cito é o não repasse nas datas aos poderes, mas só agora eu tenho isso escrito”, explicou Picciani.

 

Para o deputado estadual, Silas Bento, o posicionamento do presidente da Alerj muda o quadro político no Estado e também mostra o enfraquecimento do governador.

 

“Picciani é um homem de posição muito forte e isso pode indicar que o impeachment pode ter andamento na Assembleia sim. Mas a movimentação do parlamento é muito volátil e cada dia tende para um lado. É preciso acompanhar melhor toda a situação. De minha parte, acho que já está mais do que na hora de tratar deste assunto. A bancada do PSDB já protocolou o pedido de impeachment do governador na Alerj. Eu votei contra as medidas propostas pelo governo, por entender que elas lesavam o povo e os servidores. E tenho certeza que há indícios de crime de responsabilidade que justifiquem o impedimento de Pezão”, disse Silas Bento.

 

Os demais deputados da Região dos Lagos, Janio Mendes e Marcia Jeovani, também foram procurados pela reportagem do Portal RC24h, mas preferiram não se pronunciar sobre o assunto, pelo menos neste momento.

 

PEZÃO: PERMANÊNCIA ATÉ O FIM DO MANDATO É DÚVIDA

 

Pezão, por sua vez, está apostando todas as fichas dele no acordo de ajuste fiscal com o governo federal. Em reunião com os representantes de servidores, no Palácio Guanabara, nesta quinta-feira (22), ele afirmou que não há previsão de quando vai pagar os salários atrasados. Os rendimentos de abril, maio e o décimo terceiro de 2016 estão pendentes, os planos de carreira estão congelados e aprovados em concursos não foram convocados. A reunião do governador com os servidores foi a primeira, desde novembro de 2015, apesar de o Rio permanecer em um estado de calamidade há um ano.

 

Ainda de acordo com Pezão, o acordo de ajuste fiscal está paralisado pela falta de aprovação do teto de gastos exigido pela União. No encontro para discutir a situação dos trabalhadores, que teve também a presença do líder do governo na Alerj, Edson Albertassi, Pezão teria afirmado, inclusive, que, caso o estado não consiga sair da crise atual, sua permanência até o fim do mandato é dúvida.

 

 

“Por diversas vezes o governador falou que não sabe se continua no governo até o fim de 2018. É algo preocupante ver a queda de braço entre o Executivo e o Legislativo no Rio. Enquanto isso os servidores estão passando fome”,  disse um dos líderes do Movimento Unificado dos Servidores Públicos (Musp), Ramon Carrera, após a reunião, que durou duas horas e meia.

 

Fontes: G1 e Extra


 Tópicos: Política,  Jorge Picciani,  Pezão,  Impeachment,  intervenção federal,  governo do Estado, 


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Renata Cristiane

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