COLUNISTA RC24H/ MARISTELA OLIVEIRA: Transtornos da aprendizagem II

A discalculia atinge cerca de três a seis por cento da população


No artigo anterior falamos sobre a Dislexia que é um transtorno específico de aprendizagem, de origem neurobiológica, sua causa e tratamentos. 

Hoje falaremos sobre a Discalculia, que é um transtorno de aprendizagem caracterizada por uma inabilidade ou incapacidade de pensar, refletir, avaliar ou raciocinar processos ou tarefas que envolvam números ou conceitos matemáticos. É um problema biológico e inato que nada tem a ver com aspectos do ambiente afetando a capacidade da criança em aprender matemática. Alguns estudos de imagem e comparações com indivíduos com discalculia e não portadores mostram que os primeiros apresentam o sulco intra-parietal menor. O distúrbio atinge cerca de 3% a 6% da população.

Como ocorre?

A área terciária no hemisfério esquerdo do córtex cerebral, que engloba os lobos parental, temporal occipital – responsáveis pelo processamento do raciocínio matemático e pela noção de tempo e espaço – possui menos neurônios ou os neurônios deixam de se juntarem.

É provável que alguns fatores como desenvolvimento do cérebro, lesão cerebral, genética e o ambiente possam levar a pessoa a apresentar as características. A dificuldade, por sua vez, ocorre por incompreensão com a noção de quantidade associada à palavra ou conceito numérico; dificuldade em usar a linguagem adequada para representar o número; problemas de espacialidade e proporcionalidade em relação ao número correspondente; e pouca aptidão para relacionar conceitos matemáticos. Pode apresentar déficits em algumas habilidades cognitivas, mas sem comprometimento da inteligência ou de nível intelectual. 

Divisão de acordo com as etapas de vida de um indivíduo:

Fase Pré-escolar

- A criança demonstra dificuldades de aprender a contar os dedinhos da mão;
- Não reconhece os padrões maior/menor;
- Não consegue discernir os diferentes algarismos;
- Não segue a ordem correta dos números.

Fase do Ensino Fundamental

- Problemas nas operações básicas, como adição e subtração;
- Não reconhece as quatro operações;
- Usa os dedos para contagem simples por não ter facilidade para raciocinar.

Fase do Ensino Médio

- Dificuldades para compreender valores;
- Dificuldades para lidar com medidas;
- Decifrar os resultados em um placar eletrônico;
- Não consegue olhar as horas em relógio de ponteiro;

Período Universitário

- Problemas para ler gráficos e infográficos;
- Dificuldade de obter sucesso em provas de vestibular que envolva números e fórmulas;
- Evasão de cursos voltados para áreas exatas ou engenharias.

O diagnóstico requer uma avaliação multidisciplinar com envolvimento de especialistas nas áreas de psicopedagogia, psicologia, neuropsicologia e neuropediatria. 

Não existem medicações especificas, exceto quando há TDAH associado. Ademais é baseado em intervenção precoce, adaptação curricular e suporte. O apoio psicopedagógico ajudará o aprendente a entender sua dificuldade e manejá-la da melhor forma possível.  

 

Maristela Oliveira – Professora e Psicopedagoga, Especialista em "Estudos da Língua Portuguesa", pós-graduanda em Neuropsicopedagogia Clínica e Reabilitação Cognitiva (Instituto Sinapses). Contatos: Tel/whatsapp (22) 99232-3366 – e-mail: maristelapsiconeuro@gmail.com

Categorias: Comportamento

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