Polícia identifica culpado de atropelar e arrastar pescador de 60 anos por mais de dois quilômetros

Crime aconteceu na noite de 28 de setembro e chocou a população; acusado é empresário de Cabo Frio


A polícia civil divulgou nesta manhã de quinta-feira (16) o nome do acusado de atropelar e arrastar por mais de dois quilômetros o corpo do pescador Celso Brito Lima, de 60 anos, que morreu, no último dia 28 de setembro em Cabo Frio: o nome é Mário Fernando Gomes Lucas, de 38 anos, empresário da cidade. De acordo com a delegada titular da 126ª DP e responsável pela condução do caso, Flávia Monteiro, a equipe de inteligência da Civil chegou até Mário Fernando após muita investigação e apoio de outros órgãos. Depois de duas horas de conversa com o empresário ele acabou confessando o crime. Leia matéria do portal.

Segundo o acusado - conforme disse a delegada - ele só teria percebido que havia algo embaixo de seu carro quando parou numa rua dois quilômetros depois. A justificativa é que seu carro "é grande e barulhento". Ainda segundo depoimento do autor, ele não confessou antes por medo de linchamento. Por outro lado, conforme consta no depoimento feito à delegada, o autor disse que desde a noite do crime só consegue dormir à base de remédio e que "sentiu alívio enorme após a confissão", pois não aguentava mais "guardar esse segredo". 

Entenda o caso

Era noite de 28 de setembro quando o pescador estava de bicicleta voltando para casa, momento em que foi atropelado na Avenida Wilson Mendes, bairro Jacaré, próximo ao Mercado do Peixe. A vítima e a bicicleta ficaram presos por baixo do carro de Mário Fernando, que rodou ainda dois quilômetros até a Rua Capri, no bairro Jardim Excelsior. No local, de acordo com o depoimento do autor, é que ele viu que havia arrastado uma bicicleta. E que entrou em desespero ao perceber "um braço humano", fugindo em seguida.

Ele é o dono de uma SUV L200 prata, da marca Mitsubishi, identificada por câmeras de vigilância existentes na Rua Capri. Policiais refizeram o percurso do carro, seguindo as manchas de sangue pelo caminho feito por Mário Fernando.

Investigação foi difícil

De posse das informações iniciais, que não ajudavam muito já que nenhuma das câmeras conseguiu captar a placa da caminhonete, que refletia luz da rua, deu-se início a uma longa investigação. Sem o número da placa, a polícia fez uma parceria com o Detran que listou todas as placas de carros do mesmo modelo que a caminhonete, não só de Cabo Frio como também de São Pedro da Aldeia e cidades vizinhas. A equipe de inteligência da 126ª DP também percorreu postos de gasolina em busca do carro e do motorista.

Até que esta semana, em Cabo Frio, os policiais foram a outra casa, também procurar pelo dono de uma L200. Na ocasião, um dos vizinhos informou que o morador tinha o modelo do carro que eles estavam procurando e que o mesmo estava sumido desde o ocorrido. Mário Fernando então foi convocado a comparecer para o depoimento. Segundo a delegada, chamou atenção o fato dele estar suando frio e as suspeitas aumentaram quando ele entrou em contradição ao falar do local onde estaria no dia do crime. Por medo, o acusado guardou o veículo na casa dos pais, fora da cidade, e também modificou algumas características da caminhonete: trocou o volante e retirou o Santo Antônio (barra de proteção ou meramente estética colocada na carroceria do veículo).

O empresário vai responder ao processo em liberdade, já que o flagrante não existe mais. Ele também tem a ficha limpa, residência fixa e trabalho fixo que o abona. A delegada Flávia citou que pode haver uma prisão cautelar devido à gravidade do caso, "mas só quem pode decidir isso é a justiça". "Graças a deus chegamos a mais um desfecho. Contei com apoio de muitas pessoas. Sem eles não teríamos chegado ao culpado. Quero agradecer a toda minha equipe, que se doou de corpo e alma a esse caso", finalizou Flávia Monteiro.
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